Capto a vida através de instrumentos. Mergulho em diferentes águas e pinço toda sorte de objetos: flutuantes, evanescentes, com mais ou menos contraste entre eles e a água. O critério é o visgo dentro do olhar. Só o visgo. Ainda assim são objetos fugidios. Através deles, palmilho e desvendo. Depois percorro a orla com os pés descalços. Orla e órbita. Tropeçando em pequenos crustáceos, eu desvelo. Sangro no perímetro das coisas que tem textura, aroma e intensidades. Desenho nós dois sentados na areia. Sentados na beira em volta do buraco. Em volta da beira e da probabilidade. Da possibilidade. Às vezes é como gravidade: Não dá para negociar. Fóssil sem corpo; mas, afinal, quem dorme com cães, não necessariamente vai acordar com pulgas. Além disso, diante da tv, vejo tudo que pode haver de submerso em Moçambique, e que apenas três moças, antes dos 30 anos, podem desvendar e desvelar em rede para o mundo. Sem sair do sofá vou explorando a densidade da água, escuto jubartes cantando e procurando o calor em águas africanas, fico sob o pôr de sol alaranjado capturado por alguém. Faço parte da cena. Do ocaso. Se não é verdade, a ideia serve de cola para que eu possa parar de pé. No mais, às vezes, tudo que se precisa é uma mudança de lugar. Uma palavra que salte também dá jeito. Palavra vôo, por exemplo, palavra verbo conjugada no imperativo do desejo para descansar do conforto de outras: palavra rede, palavra almofada, palavra colchão. Eu voo. Qualquer coisa no baixo abdômen faz pressão. O desejo exerce pressão: até a palavra exerce. Uma palavra estranha - um x com som de z - que se tem que engolir como regra. Pressão também diz respeito à minas. Detonam. Tudo vai pelos ares. Roupas dentro do armário, pedaços de papel e tampas de bueiro. Pressão expulsa. Manda para o espaço o que estava encalacrado. No mais, não se tocam as efemeridades. Não se seguram os vendavais. E, felicidade não precisa de culpa. Ao fim e ao cabo, diz Tom Zé: mando a consciência junto com os lençóis para a lavanderia.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Postagem em destaque
SOBRE QUESTÕES RESPIRATÓRIAS E AMORES INVENTADOS
http://metropolitanafm.uol.com.br/novidades/entretenimento/imagens-incriveis-mostram-a-realidade-das-bailarinas-que-voce-nunca-viu...

-
Adélia Prado - Ex-voto Na tarde clara de um domingo quente, surpreendi-me Intestinos urgentes, ânsia de vômito, choro Desej...
-
SOBRE ATITUDES E VARINHAS MÁGICAS Crônica publicada no Jornal A Notícia de Joinville em 23 de julho de 2009. Acho que ...
-
Quero falar de coisas vermelhas para, juntos, imaginarmos sem moderação. Se a imaginação é um ato vermelho, significações e simbologias, ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário
borde aqui suas impressões e comentários, ok ?