sexta-feira, 22 de julho de 2016

SOBRE QUESTÕES RESPIRATÓRIAS E AMORES INVENTADOS



http://metropolitanafm.uol.com.br/novidades/entretenimento/imagens-incriveis-mostram-a-realidade-das-bailarinas-que-voce-nunca-viu




a talhadeira corta a parede adoecida. corta bolores e cheiros acres. corta a palavra. entre a superfície e o dentro, ecos: onde foi que os olhos engoliram a limalha e a córnea reagiu num sobressalto? onde os olhos captaram a retícula da terra? avermelharam? com um tampão no olho, só emudeço. 
em cada instante, quero vôo e mergulho: (não tenho doença) saco pinça, cureta, alicate, picareta. tudo vale. por exemplo, as unhas, ou ser inquilina do escuro até que (mais uma vez) ele me tire para dançar. nada a fazer se sinto paixões de nascença. entremeios em que os pulmões perdem ar e eu, com a coragem de tudo que faz febre, inspiro e dilato os brônquios. (talvez eu pudesse anfitriar o ar. poderia?). mas não, agora dei de andar discreta de ante-salas. a (des) esperar por ele. se o ar é um caminho a vencer; inalo o tremor que vem junto com o medo. desdobro ante um aroma de flor e ocaso. sob o cantar dalgum pássaro e o seu vôo. hibiscus em flor. gaivotas que sobrevoam o quintal. um choro convulsivo às duas da tarde. ando diversa. permeada de hipóteses atravessadas no claro das horas. depois, irônica; salto do sobressalto, e, com unhas pintadas; danço e rodopio no meio da sala. seja como for, sempre em arterial coreografia.

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