domingo, 24 de julho de 2016

SOBRE FOTOGRAFIAS

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SOBRE FOTOGRAFIAS

Um moço está sentado na soleira da porta. Cotovelo sobre os joelhos, diz para a moça que sonho como aquele nunca tinha sonhado não. Que nunca, desde os tempos em que saiu de Caruaru, tinha sonhado mais. Antes sim, sonhou sim, muitas vezes. Mas nunca um sonho como aquele. A moça lhe olhava de de soslaio. Mexia a cabeça e me espiava. Olhava bem dentro dos meus olhos. E ele contava o sonho e contava do medo e o medo estampado nele escorria pela calçada, pelas pedras, e caminhava até o bueiro. E então não escorria para dentro. Ficava ali a redundar. 

Da minha soleira eu só espiava. Um tapete de concreto forrava a rua e a cidade. O céu era de numerados cinzas e cobria tudo desde o oeste. Prédios erguiam-se feito arbustos sobre o árido da terra. Espalhadas aqui e acolá, casas. Em nenhum canto cor. Em nenhum canto flor. À esquerda, no fio mais elaborado da sombra que atingia em diagonal o pequeno rosto, uma menina partia formigas entre os dedos. Ao longe um vento redemoinhava em riso e frevo e depois escorria. 



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