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Mostrando postagens de Julho, 2017

SOBRE QUINTAIS

no quintal há abundâncias e abismos, adjacências e sustos; em meio a punhados de manjericão e cebolinha, em meio ao que desponta no caminho: bálsamo e perfume, arranhões e palavras:

 palavra empinada palavra sem rosto  palavra com dedo em riste; palavra que flutua numa tarde qualquer de verão; que faz alvoroço por dentro;
palavra que sobra depois de uma refeição;  palavra com perfume, palavra que abre um vazio;  palavra que faz poesia .
a menina corre para pegar e fugir das palavras que caem.

AH O AMOR, O TAL AMOR. É MINHA LEI, É MINHA QUESTÃO ;)

Como minha avó, eu poderia dizer que amor é quando, juntos, se come um saco de sal; ou quando de um limão, se faz uma limonada. (mas com ou sem açúcar? ); eu mesma poderia dizer que amor é quando se faz um poema. quando se faz uma canção... quando se canta uma canção, pode ser amor. 
Quintana diz: “O amor é quando a gente mora um no outro”. Danilo Caymmi pergunta “O que é o amor? Onde vai dar? Parece não ter fim. Uma canção cheia de mar que bateu forte em mim”. 

Há quem diga que amor é tirar da própria boca para alimentar alguém, fazer o bem sem olhar a quem. (mas o que é o bem, não é? sabe lá.) Amar é discórdia; e Lacan aponta: “Amor é dar o que não se tem a quem não é”. Acho lindo! (achar lindo acho que é amor).

 Eu amo.Tu amas. Nós amamos. Vós amais. Eles amam. Você ama. Amar é a força do verbo. Alguns dizem que amar é jamais ter que pedir perdão. Outros que amar é sofrer. É rir junto e então olhar dentro do olho do outro, e rir mais ainda. Amar é conviver. Morrer. Ceder. Calar. Passa…

EU SOU ENTRE e DEPOIS

pelas fendas, frestas e fissuras, pelos fragmentos de uma ideia; enigmas sobrepostos acendem. 
por isso, e talvez por outra razão qualquer (nem importa);
 sou melodia e desenho. vôo e ritmo.
sou qualquer coisa de verão. qualquer coisa de estação: um aroma bem aqui (sente). sou cor e luz que refrata, apesar das flores no chão;
 o nítido da luz quando espalha e se esparrama entre as coisas: nas ruas por onde passo e até por sobre as águas. por sobre a ondulação.
por isso, e talvez por outra razão qualquer (nem importa);
refrato. mesmo com a luz assim, torta.
pelas fendas, frestas e fissuras; pelos fragmentos de uma ideia; enigmas sobrepostos acendem. 
eu sou o que reflete depois da luz. o meio do caminho entre o que se fala e o que se cala. sou o meio.

PERSPECTIVA SUBLINGUAL

espio pelo canto do olho. espio e sibilo diante do espelho e da luz. sibilo debaixo das guelras. diante do reflexo. é anacrônico mais uma vez modelar o barro e o balanço. talvez um gesto anterior à febre. um rubro gesto de queimar. de atear fogo no abismo. só depois vem uma brisa que sopra as labaredas e me faz equivocada. baixinho conjugo verbos manuelinos, e num repente, tomo sem pestanejar, o trem noturno para Lisboa. nada mais de albergue espanhol ou balas de caramelo. o closet passou a língua nas coisas e esvaziou a gaveta debaixo da neblina. é então que aproveito a densidade e me embrenho: escavo, lapido e desvio do que faz medo. entremeios, atravesso e absorvo. pé e perfume no passo. um chão que não sai do lugar. um chão que me anda. me desanda e subtrai o ar, em metonímica  imprecisão.