sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PARA SENTIR OS SABORES


Olá leitor! Esses dias lembrei quando nossos sentidos eram cinco: Olfato, Paladar, Visão, Audição e Tato. Hoje já se fala em alguns outros... Pressão, Dor, Temperatura... Segundo a neurocientista Suzana Herculano, haveria mais dois. Ela diz que enquanto os cinco sentidos básicos se ocupam do que vem de fora, os outros dois cuidam do que vem de dentro. Um deles é o movimento e o outro o equilíbrio. Faz muito sentido, inclusive porque, sem esses dois últimos fica até um pouco difícil usar os outros. Enfim, é através desse conjunto que se pode falar um pouco da viagem pelo mundo do sabor, onde os sentidos atuam em conjunto: tem a visão, gatilho que dispara a idéia de sabor, o paladar, que através da generosidade anatômica da boca, capta as partículas de sabor enquanto mastigamos; e o olfato, que junto com a gustação, é talhado perfeitamente para captar as moléculas de cheiro que estão no ar. Depois tem a viagem das informações captadas pelos órgãos dos sentidos até o cérebro. Uma viagem através dos disparos de potenciais de ação pelos neurônios, sinapses, nervos e instâncias cerebrais onde tudo chega no final desse caminho. Mas o que é de fato encantador nessa complexa dinâmica é tudo que se pode desvendar a partir desse conhecimento. A questão da construção das imagens mentais e dos afetos envolvidos. Pensar que quando se aprende algo, a diferenciar sabores, por exemplo, criam-se no cérebro redes neuronais que podem ser reforçadas com a repetição dessa informação ou experiência; e que quando se vivencia uma experiência diferente, mas relacionada à experiência original, automaticamente o cérebro está apto para reescrever o arquivo considerando a nova informação. E assim nossa memória vai se ampliando e se modificando. E as emoções vão carregando todo esse processo com cor; de modo que quanto maior a carga de emoções associadas, maior e melhor será o envio e o armazenamento das informações. Isso faz pensar na importância dos estímulos para nossa vida. Para a criança que está iniciando a descoberta dos alimentos e coisas tantas até bem mais lá na frente – quando, por uma série de fatores, como envelhecimento, uso de medicamentos, doenças e até o afastamento do convívio social, vamos “fechando” mais para a vida e para tudo que os sentidos estimulados podem propiciar. O que é uma grande pena. Conhecer essa capacidade do estímulo e seus resultados na maneira como olhamos o mundo pode mudar tudo. É o que já se disse: não podemos viver sem o sentir porque “somos a partir de nossos sentidos”. Estar aberto para essa possibilidade é estar aberto para o enfrentamento da vida. É viver. Mas às vezes descuidamos disso. Esquecemos até. Vamos vivendo homens-máquinas com mensagens entrando e saindo sem que a gente se perceba, sem que a gente possa interagir com toda nossa estrutura. E diante de tantas instabilidades, funcionamos mal por não estarmos conectados com nossos sentidos. Quis lembrar isso, de que vivemos pelo conhecer e de que o conhecer surge do sentir – disso que nos atravessa através das experiências que atingem o corpo e depois transformamos em “sentir”, e a partir daí em “ser”.

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