quinta-feira, 14 de outubro de 2010

DA UTILIDADE DAS COISAS


A utilidade de uma coisa é algo a ser desvendado com humor e imaginação. Aliás, desvendar o mistério das coisas é tarefa de muita utilidade e que muito me encanta. Quando coloco minhas perninhas para caminhar por aí, vou deitando os olhos em tudo que é coisa exposta e que arrebata minha atenção. De meiazinhas para guardar celular a cabo de panela. Falando nisso, dia desses deitei os olhos numa referência a um texto de Humberto de Almeida, que discorre sobre a utilidade do cabo em sua dupla função: de empunhadura e/ou apoio para o manejo dos mais diversos utensílios e ferramentas. Da panela à enxada. Pense nisso, leitor! E lá vai o estudioso para os subterrâneos da coisa: o cabo e sua influência sobre a história e o comportamento dos homens. O próprio autor, Marcelo Sguassábia, que faz referência ao texto do cabo, já sugere novas coisas para se pensar nessa linha e que podem, quiçá, se prestar a futuras dissertações e estudos de maior envergadura. Cita as alças:

- Alça de sacola de feira, com peculiaridades ergonômicas e relevância como agente alavancador, especialmente da economia informal, alça de trem de metrô e seu papel gregário no contexto do transporte coletivo, dado que cada alça é dividida por duas, três ou até mais mãos que nela se apóiam ou seguram nos horários de pico; alça de sutiã e de vestido, entendidas não apenas como elementos de sustentação, mas também como fetiches a povoar o imaginário masculino, alça de caixão, alça de mira e até a expressão “mala sem alça”, que ele diz ser cunhada originalmente no Reino Unido (olha só!); o verbo “alçar”, de onde deriva a expressão alçar vôo, decolar por si mesmo, “por propulsão própria”e até a enigmática e quase hieroglífica definição do Dicionário Houaiss para “alça” como termo de marinha: “estropo adaptado à goivadura da caixa de moitões, cadernais ou sapatas”. Quem puder que lance luz! É engraçado pensar, repetindo o autor, em arregaçar as mangas e se debruçar com o devido afinco sobre tema tão rico e pouco investigado. Eu, por mim, agradeço a possibilidade de poder ter uma alça à mão caso eu precise me segurar. Peço que eu possa alcançá-las do alto de meu metro e cinqüenta e seis. Acho louvável meus pais terem instalado duas delas dentro do box para banho e muito gosto das que seguram as bolsas e bolsas que eu adoro trocar. Gosto, sobretudo, das invisíveis, daquelas que me alçam para longe quando eu quero voar. Alças, de algum modo, nos dão asas. Sem misturas e sem efeitos colaterais. Basta imaginar.

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