quinta-feira, 7 de outubro de 2010

VIVA A INSTABILIDADE DO ENVELHECER




Somos organismos vivos, certo? Alto grau de flexibilidade e plasticidade para tantas transformações que passamos no decorrer da vida. Tudo bem: somos guiados por alguns padrões, de certo modo, cíclicos, que se auto-regulam, auto-organizam e tudo mais. Mas não somos máquinas! Ao menos enquanto pudermos inventar e ir rompendo com antigos padrões. Enquanto existir criatividade, haverá transpasse de limites em direção ao novo. Se assim é, temos a possibilidade de escrever dia a dia a nossa história com a única certeza de que é possível transformar. Estabilidade e garantias? Não, não, leitor amigo. Isso não há. Podemos saber que a cada movimento nosso, um outro é produzido. E assim temos um fluxo entre pólos: expansão e contração, contato e retração, côncavo e convexo e outros tantos. Cumpre dizer que a vida ocorre através das experiências que atingem o corpo. Atingem e atravessam. Mas que tudo começa quando se respira e sente. Quando se está conectado com as circunstâncias que rodeiam o sentir. Quando se está conectado com o desejo. Eu penso na vida que passa nesse caminho de invenções e sou projetada para algum momento onde o desejo não mais nos pertence. Quando vamos ficando velhos, talvez? Será? Quando numa sociedade determina-se que o tempo do velho é o passado e as circunstâncias começam a resvalar a ideia de que cessem os movimentos, a autonomia, a decisão de ir pra lá ou pra cá, isso pode acontecer. Se comprarmos essa ideia aí vira verdade mesmo! E se não há desejo, não há movimento. E dá um medo danado a perspectiva dessa espécie de involução. Desse “deixar de pertencer”. Dá medo a ideia de ir jogando coisas para escanteio, minando os sentidos que podem nos impulsionar para novas invenções. Para continuar inventando. O que pode decorrer desse movimento transverso senão o hábito de despertencer? Despertencimento esse, que gera isolamento, gera angústia, gera depressão. Talvez eu tenha pensado nessas coisas porque acabo de ver uma senhorinha no centro que muito me chamou a atenção. Talvez pelas recentes comemorações do dia do idoso. Talvez porque bem do nosso lado, a gente veja muitas situações que nos põe a pensar. Não importa. Importa a atenção para não cair no isolamento. Importa também investir no corpo que é porta para o sentir. Abrir os pulmões e sentir. Com mais ou menos ar. Mais ou menos dor. Então, abra sua janela. Coloque uma música para tocar e cante arrancando seu corpo da inércia. Dance! A vida está bem aí, ao alcance das mãos. Vai incomodar algumas pessoas que pensam os velhos como peças de antiquário. Sentadinhos numa cadeira de balanço e silenciosos como num quadro. Colocariam moldura se possível fosse. Mas esqueça disso. Saia do quadro. De preferência, cantando. Pinte o mundo “jovem” com tudo que trilhou no seu caminho e que, fosse luz, iluminaria cidades inteiras.

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