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INSTABILIDADE e ELUCUBRAÇÕES PASSAGEIRAS


O leitor que já jogou fliperama poderá me entender. Sabe quando você solta a bolinha e ela sai ricocheteando para tudo que é lado sem marcar nenhum ponto? Assim me sentia na última tarde de outono. Tentando arrancar um maldito pêlo do queixo, lembrei daquela música que Durval Vieira escreveu, Luiz Gonzaga interpretou e Gal Costa também. “Que diferença da mulher o homem tem? Espere aí que eu vou dizer meu bem: é que o homem tem cabelo no peito, tem o queixo cabeludo e a mulher não tem”. Qual o quê! Bendita seja Nossa Senhora da Pinça! Sem contar Nossa Senhora da cera quente, da cera fria e do laser, né? Seja como for, para além das possíveis diferenças e semelhanças entre homens e mulheres, a bolinha continua ricocheteando. Também! O que se pode dizer de alguém que tira pêlos do queixo? Queria ser mulher-girafa. Aquele pescoção para exibir além de poder limpar as orelhas com a própria língua! Mas não tem problema, não. Eu fico bombeando 50 litros de sangue por minuto, e nem sou girafa. Tô batendo um bolão. Mas veja, de novo é setembro. E eu, ao contrário da girafa, nem tenho língua de ½ metro, intestino de 77 metros e fico pensando como definir o tempo que acelera e o que passa devagar. Qual é o jeito de ver o tempo passar? Ir de bicicleta? De táxi? Ficar olhando disfarçado por trás de um muxarabi? Ou dar uma de pulga e ir saltando de 34 em 34 cm? Passando quase despercebida e ao mesmo tempo causando uma coceira danada? Pode ser. Seria uma ideia boa pra muita gente! Também seria bom ter uma estrutura semelhante a das minhocas: cinco pares de corações na parte dianteira do corpo. Daria para distribuir melhor as emoções todas! Não faz mal. Tô me virando com um coraçãozinho só. E rindo dessa nossa cômica sociedade. Você sabe para que serve um deputado estadual? Tiririca também não. Sei que tem estado de espírito que é impossível de definir, caro leitor. É melhor aceitar o mistério. É por isso que quedo admirada diante da definição de Aurélio Buarque de Holanda para Definição. “Uma definição é muitas vezes sorte. É pegar borboleta no ar, é capturar. É ter um lado poético e um lado prosaico, duro. E a satisfação quando se vê aquilo cristalizado”. Então a gente precisa se abrir para as fissuras, leitor. Não é filosofia de boteco, não. O tempo cria tramas onde a gente se enreda e se a gente não cria um fissura no tempo não pode vivenciar os acontecimentos. Isso significa correr o risco de ser encontrado pela memória para ver o que já estava ali e a gente não via. Potencializar a vida, entende? Dar novas cores, construindo e mudando nossa história. Abrindo espaço para o futuro. Mas não pense não que sou doida. É a sociedade pós-moderna que é. Entendendo assim, a gente abre nossa ideia das coisas. Abre o conceito do que é ou não ser doido. E se pergunta se a vida realmente só existe nos pólos...lá onde as coisas são tão engessadinhas que uma martelada pode quebrar. Eu não quero quebrar. Rachar é coisa de parede, que ao sofrer pressões de várias ordens pode trincar. É coisa de jatobá. Quebra e não enverga. Minha estrutura apaixonada me pede recorrentemente para ser bambu. Envergar e ver todas as nuances disso. Viva a instabilidade da mudança de estação. Elocubrações primaveris. Boa semana, leitor. Aproveite a primavera! Carpe Diem!

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