quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

TEODORA SABE DAS COISAS
Teodora é moça que sabe das coisas. Sabe e aproveita para “se achar”. Assim mesmo: sem o menor pudor. Humildade? Ah, não senhor. E já que sabe tanto, diverte-se. Olha-se no espelho e ao invés da pergunta “Cinderela” afirma olhando bem dentro dos próprios olhos: Eu sou sim a última bolacha do pacote. Sou mais: sou o gás da Coca-Cola. E ri. Fartamente. Daqui de onde a espio, tenho que admitir: Ela é ótima! Não é à toa que se arvora, sobe no salto e fica por aí dando lição de moral em muita criatura. Feito outro dia que xingou e xingou o rapaz que arremessou uma latinha para fora do carro. Uma pessoa que arremessa latas ou qualquer coisa pela janela do carro não tem a menor consciência de educação e cuidado com o meio ambiente. Eu acho que ela está certa. Já que a maior parte das pessoas é tão condescendente com certos absurdos, ela bota a boca no trombone. E trata de deixar isso muito claro quando acontece perto dela. Também ficou tiririca com Isabel, que sempre faz ares de charmosa e tem sido sempre grosseira com garçons, frentistas e atendentes quando saem jutas. Então foi lá e soltou o verbo. Se uma pessoa é toda charmosa com você, mas grosseira com alguém que lhe presta um serviço, não tem como ser uma boa pessoa. E disse isso para Isabel que foi ficando roxa e vermelha com o inusitado da coisa. Aliás, anda se livrando de pessoas que falam muito de si e não abrem espaço para ouvir o outro. Essas, não estão a fim de compartilhar nada!  Livra-se delas. Mas o que a tirou definitivamente do sério foi Nestor! Pois não é que o cabra, num só movimento, roubou seu coração? Ah, não! Olha aqui, Nestor, meu coração é meu. Meu, ouviu? Você fica aí dizendo que me quer, mas não é capaz de um só ato significativo e honesto? Pois se o que você quer é ver a coisa rolando frouxa, rolando mole, fica com isso. Toma aqui essas balinhas. Tem chiclete também, quer? Cabra safado. Pega e some. Assim, com um só gesto, me livra de você e dessas balinhas que recebi de troco na lojinha de R$1,99. Recebi porque o cara me pegou num dia ruim e não pude reagir como gosto. Acho um absurdo! Que mania essa de dar balinha de troco! Ah! Se eu chego lá com um saco de balinhas para inteirar o dinheiro do abajur. Aí eu quero ver! Aliás, tá aí uma coisa que preciso fazer qualquer dia. Mas é isso, Nestor. Pega ou não essas balinhas e me erra. Vê se me erra de uma vez. Pra você eu repito o Garfield: “Você não passa de um inseto espatifado no para brisa da minha vida”. Pronto. É isso. Falei e tá falado. Você gosta de chegar e fazer bonito? Então, dessa vez fica pra mim. Arrasei e fui. Fui, Nestor. Da ponta do lápis, de novo eu admiro. E lembro Raul: “Eu que não me sento/No trono de um apartamento/Com a boca escancarada/Cheia de dentes/Esperando a morte chegar...”. Não, não. Há que se reagir. E como o poeta vou de verbo intransitivo: “Teadoro, Teodora”.

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