quinta-feira, 10 de junho de 2010

QUE TAL UM RAVIOLLI?

QUE TAL UM RAVIOLLI?
Já tem alguns anos (muitos anos) preparamos raviolli. É sempre um acontecimento. Começa quando decidimos que vamos fazer. Cada vez é um de nós que lembra, os outros se estimulam e acontece. Tudo começou com meu sogro: quando íamos pra São Paulo vê-lo, pedíamos: vamos fazer um raviolli? Ele olhava pra gente com um sorriso maroto e pronto – estava decidido. Fazíamos juntos a massa, o molho e o recheio de ricota e espinafre enquanto ele contava suas histórias e canzoni italiane de fundo nos embalavam. Um dia resolvemos fazer para nós mesmos. Meu marido e eu. Lembro bem de uma vez em Curitiba. Ele veio de São Francisco do Sul, onde trabalhava, chegou em Curitiba por volta de nove da noite e disse: vamos fazer raviolli? Eu disse: vamos! Não tinha nada em casa. Fomos até o mercado ali perto, compramos farinha, carne moída, ricota, salsinha, cebolinha e tomates para o molho. Cebola tinha. Naquela minúscula cozinha começamos o trabalho. Fazer a massa. Preparar o recheio, o molho. Uma viagem. Antes da meia-noite, ceamos. E ainda sobrou um tanto pra congelar. (É uma delícia tirar do freezer raviolli feito por você, prontinho pra comer). Agora, faz um tempo que estendemos essa atividade para São Francisco do Sul e os amigos daqui. Quem nos conhece sabe. Uma vez por ano, no inverno, tem raviolli. Até cobrança já tem. E o raviolli? A gente podia fazer! Pronto. E lá vamos nós: o dia é marcado, compramos os ingredientes, calculamos o tamanho da festa e exageramos um pouco para o meu congelamento. Riem de mim, mas continuo tirando onda, congelando no dia da festa pra durante o ano, ir degustando a continuidade desse prazer. Todos envolvidos: um descasca tomate, outro prepara a massa, outro estica e vai revezando porque esticar a massa destronca o corpo inteiro! O molho começa a cozinhar por volta das 11 horas e segue até 4, 5 horas da tarde (quanto mais tempo no fogo, melhor). As meninas cuidam dos recheios (este ano eram 4 ou 5 diferentes!). Se revezam no cortar a massa em rodinhas, rechear, fechar os pasteizinhos e ir arrumando nas assadeiras e enfarinhando. O ano passado o recheio era um só mas a massa era tricolore: vermelha de beterraba, verde de espinafre e a básica branca. No meio da função que não cessa, papo bom, papo sério, papo nervoso, piadas e muita tiração de sarro. Milhões de papos. Coisinhas pra beliscar e beberiscar. É festa, né? Uma vez por ano é que nem aniversário. E a gente vai se enrolando, vai fazendo, vai se divertindo. Comer? Acontece sempre em torno das 5,6 horas da tarde, às vezes mais... e daí vai até onde for. Festa. No meio disso, milhares de louças para lavar, limpar a farinha que se espalha pela mesa e arredores e separar o que eu vou congelar. Claro! Já é pressuposto! Todo mundo trabalha. Todo mundo adora. E a gente come feliz. Todo ano repetindo. “Humm..que delícia” “Nossa, isso tá muito bom” “O do ano passado não estava tão bom” Nossa, bom mesmo foi aquele...” e vai. Nos irmanamos nós todos. Somos uma família com tradições. Um nasceu aqui, outro ali, uns gostam disso outros daquilo. Enfim, cada um de um jeito. Mas entre as coisas em comum temos isso. É uma das nossas tradições. Uma de nossas alegrias. É tão bom que quis dividir com você. Mangia che te fa bene!. Experimente.

Postagem em destaque

SOBRE QUESTÕES RESPIRATÓRIAS E AMORES INVENTADOS

http://metropolitanafm.uol.com.br/novidades/entretenimento/imagens-incriveis-mostram-a-realidade-das-bailarinas-que-voce-nunca-viu...