Pular para o conteúdo principal

VIVER FAZ BEM À SAÚDE




Falam tanto em coisas que fazem bem para a nossa saúde! Dieta mediterrânea, suco vivo, dieta de acordo com nosso tipo sanguíneo, 10 copos de água por dia, um copo de água em jejum, jejum depois das 20 horas, café. Tomar só água por três dias. Comer só melancia durante uma semana. Arroz e feijão. Jejum absoluto. Incrível. A lista é interminável. É tanto o que nos dizem, tantas novidades e reedições e revisão de coisas e conceitos, que ficamos até na dúvida sobre mudar nossos hábitos... O que é certo afinal? Equilíbrio parece uma opção mais razoável do que “comprar” filosofias e dietas que não nos pertencem. Quando fazemos isso temos que ter em mente o processo das coisas. Pois se a soja faz bem às japonesas, é preciso saber que elas a ingerem quase cotidianamente desde a mais tenra idade. Se yoga faz bem à saúde corporal e mental dos hindus, do mesmo modo é preciso saber que há uma filosofia por trás da prática, uma filosofia implícita na vida. Nos dois casos uma coisa endossa a outra – filosofia e prática - de modo que se saímos “comprando” idéias parciais, viramos marionetes atrás de modismos. Porque vira uma mudança sem profundidade. Equilíbrio é a chave. Até para poder sair dele de quando em quando. Olhar a vida e as coisas incríveis que ela oferece como “pílulas diárias” de saúde. Uma aula que te enche de novos conhecimentos, um professor que te faz “levitar” pelas coisas novas que acrescenta. Um livro que te faz viajar sem sair do sofá, ou da rede. Ficar às vezes na rede balançando no ritmo do impulso é algo que faz muito bem para a saúde. Tomar banho de chuva. Tomar banho quentinho. Tomar banho gelado no verão. Ficar de molho na agüinha do mar, na aguinha do rio. Preparar um prato que você está com muita vontade de preparar e comer. Uma delícia. Oferecer esse prato aos amigos – delícia sem preço. Ver alguém feliz é muito bom. Participar de algo que pode fazer alguém feliz, tanto melhor. Ter parte num projeto que beneficia um bom punhado de gente. Coisa sem preço. Errar e ter consciência de que isso é “absolutamente normal” faz muito bem para a saúde. Acertar depois de ter errado é muito bom. Enche a gente de bons hormônios. Enche a pele de viço. Um olhar apaixonado de alguém eleva essa sensação à enésima potência. Saber que alguém te ama com amor despreendido. Se fosse medicamento, estaria em falta. No cosmos. Amar alguém com amor despreendido? Cura quase todos os males. Então façamos o seguinte, vamos procurar comer direitinho, nos alimentar bem dentro possível, esquecer um pouco esses pacotinhos, enlatados e coisas do gênero e vamos amar muito e nos permitir ser amados. Sobretudo amar a nós mesmos. Podemos perder um amor, mas não o amor próprio. Sejamos nossos melhores amigos. Vamos permitir o que chamam por aí de vacuidade. Palavrinha complicada pra dizer que o que vale mesmo é conceber e aceitar a vida na sua imperfeição. E em tudo que pode haver de barroco nela. (Salve Aleijadinho!) Aceitar a nós, ao outro e a vida na sua imperfeição e beleza.

Postagens mais visitadas deste blog

AH O AMOR. O TAL AMOR... É MINHA LEI, MINHA QUESTÃO ;)

Como minha avó, eu poderia dizer que amor é quando, juntos, se come um saco de sal; ou quando de um limão, se faz uma limonada. (mas com ou sem açúcar? ); eu mesma poderia dizer que amor é quando se faz um poema. quando se faz uma canção... quando se canta uma canção, pode ser amor. 
Quintana diz: “O amor é quando a gente mora um no outro”. Danilo Caymmi pergunta “O que é o amor? Onde vai dar? Parece não ter fim. Uma canção cheia de mar que bateu forte em mim”. 

Há quem diga que amor é tirar da própria boca para alimentar alguém, fazer o bem sem olhar a quem. (mas o que é o bem, não é? sabe lá.) Amar é discórdia; e Lacan aponta: “Amor é dar o que não se tem a quem não é”. Acho lindo (achar lindo acho que é amor).

 Eu amo.Tu amas. Nós amamos. Vós amais. Eles amam. Você ama. É a força do verbo. Alguns dizem que amar é jamais ter que pedir perdão. Outros que amar é sofrer. É rir junto e então olhar dentro do olho do outro, e rir mais ainda. Amar é conviver. Morrer. Ceder. Calar. Passar a bo…

MOVIMENTOS EM SI MAIOR ou TOCA RAUL

debaixo de MOVIMENTOS EM SI MAIOR  (diz a lenda  que si maior pode ser uma escala estranha, incômoda e cheia de sustenidos... ),anoiteço.

o que nubla em mim, transparece em meu cristalino. isso é algo que achei bonito mas é também a descrição da catarata. 
como o sangue é rio que irriga a carne, definir é para quando se pode e do jeito que é possível - são afirmações que capturo enquanto permaneço não essencial - tão somente unidade de informação e multiplicação e enquanto, jardim e orvalho, sorrio o doce-amargo de um hiato.
ainda assim, sou de fato objeto da seleção natural. composição molecular e desejo. misto de carbono e água. resultado da oscilação de taxas hormonais. vertigem nos braços de um homem. poção de acasos e paisagem equatorial. fenômeno imprevisto e desintegração. uma nota de perfume depois da passada. o início, o fim e o meio.

quer saber? toca Raul :)

OUTONIAS DE AMOR EM PROSA

sim, estou um pouco desgarrada; um pouco sonâmbula. é que tudo anda meio esquisito e talvez sem explicação. mas sim. acho que se fosse comida, coisa dentro da gaveta e até um poema, claro que seria sorriso dentro dos olhos, boca na pele e som da voz tilintando dentro. acho que sim, se fosse desenho, haveria um canto em branco para preencher. fosse sonho, ainda que acordado, haveria um rubro no ar a avermelhar bochechas. talvez fosse um caminho, e a pele e um roçar de braços no caminho. mas se fosse sonho mesmo,  dentro do sono,  depois dele talvez amanhã; talvez café. e se acaso durasse, sonho e vida, vapor, súplica e assovio; apesar da exatidão matemática e das flores rabiscando o chão, sim, ainda estaria aqui: cativa entre hábitos, maravilhas e aberrações.