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SOBRE ARRUMAÇÕES E OUTRAS COISAS

SOBRE ARRUMAÇÕES E OUTRAS COISAS




Sobre Bernardo Soares, semi-heterônimo de Fernando Pessoa, ele disse: “é um semi-heterônimo porque, não sendo a personalidade minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afetividade. Aparece sempre que estou cansado ou sonolento”. Isso não é maravilhoso leitor? Em estado de sonolência você é você mesmo, mas apesar disso você tem limitações técnicas... está sonolento, lembra? Quer dizer: seu raciocínio torna-se limitado e você fica de certo modo, despersonalizado (quase um outro?). Cito isso porque acho incrível a consciência da pluralidade que este homem tinha – todas as personalidades que o habitavam internamente (e ele fez um uso esplendoroso disso!!!). Desse imenso conteúdo que se não tivesse tido voz, sabe lá leitor, sabe lá)... O quanto escrever não nos resgata de uma crise e nos coloca nela? Penso nisso às vezes. O quanto escrever nos coloca no “olho do furacão” e daí simplesmente não dá mais para não mexer em tudo. Porque desse lugar, vemos! Depois de mexer em uns guardados lá na casa da praia - umas fotos, uns muitos pedaços de jeans (ex calças minhas) juntos numa sacola e o sonho da colcha que comentei com minha mãe quando da vinda dela aqui – os pedaços esperam por ela, por mim... (pela colcha?), e de ter folheado um livreto de Fernando Pessoa que lá estava porque alguém que é muito querido me emprestou uma vez - os poemas ainda esperam -, fiquei fazendo essas conexões... Rsrsrsrsrs pensou isso? quantos eus, quantos ais! Fernando Pessoa, esse homem sem possibilidades de definição, fundamentou seus heterônimos (até onde sabemos), basicamente por conta da pluralidade (dessas muitas personalidades que habitam nosso mundo interior), da consciência da multifacetada vida portuguesa (ele dizia: “O bom português é várias pessoas – Nunca me sinto tão portuguesamente eu como quando me sinto diferente de mim”), e de sua carga dramática, que fazia, segundo ele, “Voar outro”.

Ah leitor, no meio da bagunça que armei lá na praia (e da beleza que ficou depois!) eu derivei na profundidade desse homem! Sendo eu uma criatura de sentimentos variáveis, às vezes mais, às vezes menos, se como ele... se eu puder substituir o temperamento pela imaginação e o sentimento pela inteligência... ó! sais minerais! Essas coisas foram me passando em meio a roupas que terminavam de secar no sol de final de tarde, e madeiras velhas que separei para uma fogueira futura, colocando fora, literalmente, coisas que... (porque isso estava guardado?), leituras, enfim – tirando alguns quilos de minha casa e pensando na crônica da semana... Mas com mil carrapatos leitor! Você não sai da minha cabeça!!! E aquele frio na barriga do 1°dia continua, se me conheço, estará sempre comigo. Agora por exemplo, são quinze para as cinco da manhã desse dia que te descrevi. Isso tudo ficou em mim, né? A adrenalina inclusive; e advinha o que aconteceu? Cansada, tão terrivelmente cansada que estava quando deitei, inda perco o sono e aqui estou! Descascando o que me habita em palavras escritas. Sonolenta, sem o raciocínio usual e com um outro tipo de lógica? (de uma outra eu?), mas ainda assim eu? Deixa pra lá! Importa o seguinte: me faz muito feliz estar conectada com você. Obrigada!!!”

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AH O AMOR. O TAL AMOR... É MINHA LEI, MINHA QUESTÃO ;)

Como minha avó, eu poderia dizer que amor é quando, juntos, se come um saco de sal; ou quando de um limão, se faz uma limonada. (mas com ou sem açúcar? ); eu mesma poderia dizer que amor é quando se faz um poema. quando se faz uma canção... quando se canta uma canção, pode ser amor. 
Quintana diz: “O amor é quando a gente mora um no outro”. Danilo Caymmi pergunta “O que é o amor? Onde vai dar? Parece não ter fim. Uma canção cheia de mar que bateu forte em mim”. 

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MOVIMENTOS EM SI MAIOR ou TOCA RAUL

debaixo de MOVIMENTOS EM SI MAIOR  (diz a lenda  que si maior pode ser uma escala estranha, incômoda e cheia de sustenidos... ),anoiteço.

o que nubla em mim, transparece em meu cristalino. isso é algo que achei bonito mas é também a descrição da catarata. 
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ainda assim, sou de fato objeto da seleção natural. composição molecular e desejo. misto de carbono e água. resultado da oscilação de taxas hormonais. vertigem nos braços de um homem. poção de acasos e paisagem equatorial. fenômeno imprevisto e desintegração. uma nota de perfume depois da passada. o início, o fim e o meio.

quer saber? toca Raul :)

OUTONIAS DE AMOR EM PROSA

sim, estou um pouco desgarrada; um pouco sonâmbula. é que tudo anda meio esquisito e talvez sem explicação. mas sim. acho que se fosse comida, coisa dentro da gaveta e até um poema, claro que seria sorriso dentro dos olhos, boca na pele e som da voz tilintando dentro. acho que sim, se fosse desenho, haveria um canto em branco para preencher. fosse sonho, ainda que acordado, haveria um rubro no ar a avermelhar bochechas. talvez fosse um caminho, e a pele e um roçar de braços no caminho. mas se fosse sonho mesmo,  dentro do sono,  depois dele talvez amanhã; talvez café. e se acaso durasse, sonho e vida, vapor, súplica e assovio; apesar da exatidão matemática e das flores rabiscando o chão, sim, ainda estaria aqui: cativa entre hábitos, maravilhas e aberrações.