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CARNAVAL TECNO-CIENTÍFICO

Enquanto passa o carnaval, as batidas de funk, tecno e sertanejo se sobrepõe numa combinação alucinatória, penso. Eu penso muito, ele me diz. Não faz mal – gosto de pensar, articular as idéias dentro do cérebro – as aulas de neurofisiologia... Imagine... O giro cingulado responsável por essa coisa toda. Enquanto penso olho o moço lá no alto da pedra da Prainha; junto outros mais, seu cabelo repicado ao vento, parece que é repicado, deve ter uns dezenove... ele olha e estuda as ondas... abstraio e já estou noutra praia, eu tinha dezenove, os meus cabelos eram ao vento. Agora estou aqui. Estamos todos aqui. Enquanto isso o filho da minha amiga segue narrando suas peripécias. É meu amigo Rui. Filósofo de primeira esse garoto. E sem mais ele arrebata: ir é fácil, voltar é que é difícil. E pela manhã, quando eu acordo e todos ainda dormem (só ele no quintal), enquanto sorvo o primeiro café do dia e administro pensamentos que querem ocupar espaço, olho o tronco com bromélias que adorna a entrada da casa – um caminhão arrastou da praia até a entrada de casa, depois foram 5 homens para erguê-lo e depois eu a fincar-lhe as bromélias – agora tem um naco dele no chão (é Rui que abriu para desvendar o mundo dos cupins e formigas) eu muda olho, ele solta: Tia, sabe que tem uma espécie de formiga que é gigante? É uma formiga pré-histórica – ninguém podia fazer mal pra ela, ela só morre por um motivo – se for atingida no seu ponto vital, bem aqui, e aponta o meio do seu peito, instalado no meio desse corpinho (lindo) de sete anos, que tem também a boca que me fala, o olho que me olha. O filho da minha amiga é um acontecimento. É história que não se repete. Que nem o pedaço do tronco no chão e a bromélia despencada. Que nem a visita dela. A gente não se via há uns... o que? 12 anos? A gente se encontrou em São Paulo e falou vagamente sobre a possibilidade de se reunir no carnaval. Ficou no sonho um tempo, nem chegou a virar limbo (o carnaval chegou antes que ela pudesse mudar de idéia) e lá veio ela – do interior de São Paulo, em seu Uno Mille, com Rui, Sabrina e Júlia (a cachorrinha), os oniguiri (bolinhos de arroz) preparados pela mãe Harue e atravessaram: Indaiatuba-SP, Salto-SP, Itu-SP, Sorocaba-SP, Jaguariaíva-PR, Wensceslau Brás-SP, (onde pararam para fazer xixi, na saída erraram o lado e terminaram por quase chegar em Ourinhos! - E não é que na volta o carro quebra em Wensceslau Brás e lá se vão 500 reais, 5 horas e o sonho de chegar na praia antes das cinco! Saíram 4 da manhã da sexta de carnaval com o plano de chegar em São Francisco por volta das quatro da tarde. Deu que estava na saída de Curitiba às sete da noite. Deu que por volta de dez e meia da noite parou e dormiu em Joinville (achou um hotel ótimo perto da BR, preço ótimo e atendimento melhor ainda, cujo simpático dono deixou até que a cachorrinha dormisse no quarto). Ficaram, sábado cedo acordaram, tomaram café da manhã (onde ela esqueceu a farinha de casca de maracujá que tem lhe feito muito bem) e cedo, antes das 9, estávamos todos em São Francisco. Fazendo o sonho acontecer. O sonho e a história que a gente vai ter para lembrar e contar algum dia. Sabe leitor, isso tudo é muita gordura faturada!!! Estranhou? É meu amigo Rui dando outra vez o ar da sua graça com uma tremenda cara séria! A vida está sempre me surpreendendo e mais e mais eu gosto das pessoas. Pessoas são seres muito antigos. Vivem na terra desde.... é o Rui que sentou ao meu lado e já está entabulando uma outra conversa científica.

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quer saber? toca Raul :)

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