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Fotografia: Clô Zingali |
não é pelo céu cheio de estrelas
sequer pela lua
de transbordamentos e enchentes.
Não é isso.
é antes por um roçar de antebraços
perspectivas de verão e
cócegas na eternidade.
depois silêncio e enigma
claustros e velas,
um caleidoscópio de se perder e achar.
mas não, não é isso.
é talvez o curso de um rio misturado ao mar
que escorrega da concha das mãos
e faz pororoca.
e faz pororoca.
é o que sobra
de música e potássio.
mar e ocaso,
desenho no ar ou um desabafo sob a asa. mas não é.
nem mesmo é quando aterrizo em lágrimas no meio da tarde.
não é isso. nem é por isso.
aprendi a obliterar a densidade
escutar dentro das veias
sob a árvore da cidade antiga;
sem armas nem escudo
pressuponho o amor;
mas ainda não é isso. e nem é por isso.
nem mesmo a abóbada,
a sombra da árvore
a chuva ou sequer o mofo depois da chuva;
é talvez a metade que sou depois,
que sou agora:
metade fonte
metade varanda
metade horizonte
metade estrutura
metade mecânica
metade asa
metade flor de cerejeira
metade memória cortada pela metade;
mas ainda não é isso. e nem importa tudo isso.
é talvez porque desoxido
e emudeço sob o teu beijo.
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