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E JÁ QUE O O AMOR ESTÁ NO AR... RESPIREMOS ;) - Sobre Quintana o Amor e o Espiar-se




... e já que o amor está no ar, lembrei de uma crônica que escrevi pro AN em 2010 e que claro, falava de amor. Um amigo havia me emprestado um livrinho de bolso do Mario Quintana e então.....

 Então eu sabia de Quintana e tinha na cabeça: “Sonhar é acordar para dentro”. E também: "Fechei os olhos para não te ver e a minha boca para não dizer... E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei, e da minha boca fechada nasceram sussurros e palavras mudas que te dediquei. O amor é quando a gente mora um no outro." Essa última frase eu sabia na ponta da língua. 
Considerado o poeta das coisas simples e com um estilo marcado pela ironia, profundidade e perfeição técnica, foi antes um pensador. Ele dizia: “ Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão”. Dizia também: “Poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação”.
 Acho que é isso que acontece quando lemos poemas: nos colocamos diante de nós mesmos e entre esse olhar – nos enxergamos como se nos espiássemos a nós mesmos através de um buraco de fechadura.
Nesse percurso achei uma carta de Quintana a um jovem poeta em que ele dizia: “Todo poema é, para mim, uma interjeição ampliada; algo de instintivo, carregado de emoção. Com isso não quero dizer que o poema seja uma descarga emotiva, como o fariam os românticos. Deve, sim, trazer uma carga emocional, uma espécie de radioatividade, cuja duração só o tempo dirá”. E o mais encantador – ele dizia que sonhava escrever um poema “que fosse como um fruto sumarento, cujo sumo escorresse pelos cantos da boca antes que a pessoa compreendesse seu sentido”. Feito certos tipos de amor. Então, querido leitor, espie-se e seja você mesmo do outro lado da porta. Arrisque um novo olhar. Um novo livro. E páginas e olhares irão se desdobrar diante dos seus olhos. Pra finalizar deixo mais um pouco do Quintana aqui, através do poema “auto-retrato”, (agora AUTORRETRATO). Um espelho que toca nossa inconstância e nos pede busca e  reconstrução eternas. SAGATIBA, pois ;)


AUTORRETRATO

No retrato que me faço
– traço a traço –
Às vezes me pinto nuvem,
Às vezes me pinto árvore...

Às vezes me pinto coisas
De que nem há mais lembrança...
Ou coisas que não existem
Mas que um dia existirão...

E, desta lida, em que busco
– pouco a pouco –
Minha eterna semelhança,

No final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco

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