quinta-feira, 23 de março de 2017

CARTA DE DORA PARA FERNANDO

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Oi Fernando. sabe; eu gosto de você. gosto também de luz indireta mas há momentos em que é preciso por luz direto no foco. um não sei que pedaço de memória me arrebatou do infinito onde eu estava até esse de agora. foram talvez palavras que, em algum momento, me suspenderam e eu pude quase repousar sobre elas. sim, era macio. depois, foram outros movimentos que me conduziam a um quase susto. o coração disparava em saltos e eu saltava junto. não sei, penso agora em possíveis modos para a paixão. é. eu gosto de você. gostei assim que vi. mas depois houve um silêncio que me escapava.  um rastro de medo que eu não tenho em mim. coisa fugidia que quer escapar. não sei. talvez por isso, entre umas melhores e outras maltraçadas linhas repletas de azulesferográfica e talvez um odor amigo com resquício de componente hormonal, ou no caso, a falta dele, e somado àquela boa e velha tendência patológica que tenho à melancolia, é que escrevo essa carta. eu daqui e você daí e o que se tem é cumplicidade em dia de faxina: vasculhar possibilidades em todos os fluidos e elementos corporais para depois, no consultório diante de um médico qualquer, histerizar: preciso de uma bateria completa de exames!. de quando em quando o fluxo de consciência é interrompido. se mistura com outros pulsos e macios. o amor à flor da pele tem pequenas veias que se incham e saem se esparramando e enervando o corpo todo. desde o pé até a face que avermelha diante de você. o médico, um remédio qualquer, o que pode impedir o coração de doer enquanto bate? deve haver algo entre essa alternância de dias de depressão intercalados com dias de euforia. deve ser psicose. na escala da cidade onde vivo, debaixo da chuva corriqueira e da umidade permanente, há dias de sol intenso sobre o encontro do rio com o mar e os desenhos que riscam a areia com essa mistura. um mar quase doce para se restar. ali o infinito faz caleidoscópio. faz peso e faz massa. faz volume para as coisas. e as coisas? bem, essas não tem paz. mas te deixo com a sua, Dora.



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