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Ladeando o que pode ser ter 50 anos, penso sobre princípios de aerodinâmica e combustão. Gisele, uma amiga toda afeita em pequenas magias e coisas transcendentais escuta meu desabafo: “Gi, preciso de uma garrafada! Aloe vera e formol juntos será que me adiantam? Resolvem meus problemas?” Gargalhamos juntas. Gisele diz que para quase todas as coisas, precisamos apenas de dois dias. Não tem quaisquaisquais;
seja para iniciar um regime, cair na esbórnia, aceitar ou não uma proposta, mudar a vida em tudo ou em nada: Uma cesta de métodos mais dois dias de concentração e tudo se resolve. Não vai ter aloe vera que faça páreo! Quanto ao formol, nem pensar, não é? Por acaso você deseja, aí bem no seu fundinho, estacionar esse estado de coisas ou qualquer outro? O movimento rejuvenesce, amiga! Sei bem que os fios soltos existirão apesar de algumas certezas e palavras de conforto. Palavras rede que agora me parecem aprisionamento diante da fome e do existir borboleta... um modo de existir que parece pétala, parece flor que dança com o vento. Harmonia delicada entre a força que impulsiona as asas para um voo e um viver que é tão fugaz. Um estado de fenômeno levado às últimas consequências. Feito sopro de hálito quente que precipita a transformação da lagarta em borboleta. Penso se são desajustes hormonais ou apenas um tempo de intensidades.  Seja como for, se o tempo não pode ser revertido, a mudança cabe no oco da mão e espera, sorrateira, por sopros de ar quente. 

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AH O AMOR. O TAL AMOR... É MINHA LEI, MINHA QUESTÃO ;)

Como minha avó, eu poderia dizer que amor é quando, juntos, se come um saco de sal; ou quando de um limão, se faz uma limonada. (mas com ou sem açúcar? ); eu mesma poderia dizer que amor é quando se faz um poema. quando se faz uma canção... quando se canta uma canção, pode ser amor. 
Quintana diz: “O amor é quando a gente mora um no outro”. Danilo Caymmi pergunta “O que é o amor? Onde vai dar? Parece não ter fim. Uma canção cheia de mar que bateu forte em mim”. 

Há quem diga que amor é tirar da própria boca para alimentar alguém, fazer o bem sem olhar a quem. (mas o que é o bem, não é? sabe lá.) Amar é discórdia; e Lacan aponta: “Amor é dar o que não se tem a quem não é”. Acho lindo (achar lindo acho que é amor).

 Eu amo.Tu amas. Nós amamos. Vós amais. Eles amam. Você ama. É a força do verbo. Alguns dizem que amar é jamais ter que pedir perdão. Outros que amar é sofrer. É rir junto e então olhar dentro do olho do outro, e rir mais ainda. Amar é conviver. Morrer. Ceder. Calar. Passar a bo…

MOVIMENTOS EM SI MAIOR ou TOCA RAUL

debaixo de MOVIMENTOS EM SI MAIOR  (diz a lenda  que si maior pode ser uma escala estranha, incômoda e cheia de sustenidos... ),anoiteço.

o que nubla em mim, transparece em meu cristalino. isso é algo que achei bonito mas é também a descrição da catarata. 
como o sangue é rio que irriga a carne, definir é para quando se pode e do jeito que é possível - são afirmações que capturo enquanto permaneço não essencial - tão somente unidade de informação e multiplicação e enquanto, jardim e orvalho, sorrio o doce-amargo de um hiato.
ainda assim, sou de fato objeto da seleção natural. composição molecular e desejo. misto de carbono e água. resultado da oscilação de taxas hormonais. vertigem nos braços de um homem. poção de acasos e paisagem equatorial. fenômeno imprevisto e desintegração. uma nota de perfume depois da passada. o início, o fim e o meio.

quer saber? toca Raul :)

OUTONIAS DE AMOR EM PROSA

sim, estou um pouco desgarrada; um pouco sonâmbula. é que tudo anda meio esquisito e talvez sem explicação. mas sim. acho que se fosse comida, coisa dentro da gaveta e até um poema, claro que seria sorriso dentro dos olhos, boca na pele e som da voz tilintando dentro. acho que sim, se fosse desenho, haveria um canto em branco para preencher. fosse sonho, ainda que acordado, haveria um rubro no ar a avermelhar bochechas. talvez fosse um caminho, e a pele e um roçar de braços no caminho. mas se fosse sonho mesmo,  dentro do sono,  depois dele talvez amanhã; talvez café. e se acaso durasse, sonho e vida, vapor, súplica e assovio; apesar da exatidão matemática e das flores rabiscando o chão, sim, ainda estaria aqui: cativa entre hábitos, maravilhas e aberrações.