quinta-feira, 16 de junho de 2011

DIOGO E RAFAELA

DIOGO E RAFAELA

Dúvidas, meu irmão, não há jeito. A única maneira é se apropriar delas. Aprender a conviver. Sabe a morte? Pois então. É igualzinho. Ninguém gosta muito da idéia, mas sabemos que um dia vai acontecer. Certo como dois e dois são quatro. E se apropriando das dúvidas, você sempre pode evoluir para as técnicas de como lidar com elas. Duas camisetas iguais. Uma azul e uma verde. Fecha os olhos, embaralha, embaralha, pega uma, solta a outra. Abre os olhos. Pronto: leve aquela que ficou na sua mão. Mas tem que definir isso no começo ou corre o risco de se perguntar: levo a da mão ou a do balcão? Pode também perguntar qual o vendedor prefere. Mas é preciso confiar no que ele vai dizer! Se questionar por um segundo, já foi. Convidar aquele amigo “super seguro” também pode ser uma ótima idéia. Mas que fique bem entendido que confia nos critérios dele. Quando for comprar para presentear e surgir a pergunta clichê: será que ela vai gostar?, assuma de uma vez que isso será problema dela a partir do momento que lhe oferecer o pacote. Trocas são feitas todos os dias. Menos aos sábados. É a coisa mais comum no comércio. E sempre vai restar o nobre da intenção. Sim, aquilo mesmo com o qual dizem que o inferno está cheio! A moça parece, de fato, muito resoluta ao falar isso com Diogo quando ele adoece ante o caminho a seguir. E mesmo que ele não possa perceber o quanto isso custa a ela, resiste. São amigos numa amizade que tem cor e tem cheiro. Dizem: somos amigos coloridos. E mesmo que ele não possa preencher todas as frestas que ela percebe, ela gosta quando desafia seu olhar. Aceita ou nega seu desejo. Como quando dormiram juntos. Um desejo de intimidade cheio de estranhamentos e dúvidas. Ela bem sabe que não pularia no seu colo se ele gritasse que a ama. Sente mesmo quase uma dor por isso. Ele desnorteia quando é ela quem faz um chamego ou lhe estala um beijo. Quando o acompanha nos caminhos de passos e paradas. Ele admira sua impulsão e pergunta-se de onde vem. Rafaela diz que é da fome. E repete Adélia: “Não quero faca nem queijo: quero a fome”. Sua amiga é um arco-íris e ele gosta de olhá-la. De vivê-la. E mesmo contra toda a evidência e previsibilidade das coisas, sabe profundamente da não existência de garantias. Mas quer o jugo. Se perder e se achar através dos olhos dela. E mesmo que essa revolução sucateie seu amor sabe que a relação entre as pessoas deve ser feita de trocas. Mesmo que componham uma relação de poder. O poder sempre pode trocar de mãos. Para evitar equívocos, assumem que sua convivência está submetida aos ventos e à poesia. É um jogo, afinal. Rafaela e ele vão construindo uma tragicomédia autobiográfica. Riso e choro. Um jogo de exibição e da ocultação. De beiras. Eles bem sabem que em volta do grande buraco que é a vida, tudo é beira. E deslizam nessa superfície, no jogo com as palavras. O abismo sempre como pano de fundo. É a forma que descobriram para andar ao contrário. Pairar nas dúvidas que compõem o avesso das coisas e desnudar seus meandros. No mais, café com pão nas padarias da cidade e tudo que resvala e rescende. Não querem mais.

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