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LUZES DE NATAL


Olá, leitor. As festas de final de ano apontam luz por toda parte. Luzes dessa época. Então me vi a pensar para que serve a luz. Como a farinha, que agrega o que está separado e dá consistência ao que não tem, a luz tem suas qualidades. Iluminar o que está escuro. Dar a ver. Que significa propiciar a possibilidade de se poder enxergar. É certo que isso pode ocorrer a qualquer momento, mas a simbologia tem uma força indiscutível. Que nem a luz. Evidencia e pronto. Você não vê se não quer. Sempre aponta algo. Pode ser forte e ofuscante, clareando a ponto de cegar, e pode ser um pontinho bem fraco vindo do abajur. Cria clima. Favorece ângulos. Evidencia ou não os defeitos. Pois é, leitor. A luz evidencia defeitos. Evidencia a vida como ela é. Nessa época tem as luzes de natal. Casas e comércios se iluminam e cidades inteiras exibem suas árvores iluminadas. De garrafa pet, com LED ou de que jeito for, transformam o vivenciar a cidade. É certo que o tanto que falta nessas mesmas cidades não se apaga diante de tanta iluminação. Educação, assistência médica, saneamento básico e segurança. Mas pode ser ofuscado. Assim é a luz. Entre outras tantas coisas, é fenômeno que propaga energia e potencializa nossa crença. Nossa aposta num desejo de bons tempos e na ideia de que aquilo que não possui luz própria, ou a tem em baixa, quando iluminado possa absorver e refletir. Que nem a lua. E dentro da imensidão das coisas relativas à luz, isso é apenas uma pequena parte. Quanto mais pensamos, mais vemos que o assunto ilumina e abre perspectivas. Isso porque nem falamos nas lentes que filtram o olhar, que dão convergência, divergência, distorção, profundidade de campo, mais ou menos foco e outros tantos artifícios que fazem parte do universo de fotógrafos, iluminadores e diretores de imagens. A iluminação é cinematográfica. Altera a perspectiva de quem está vendo, mexe com o imaginário. Esconde, evidencia, nubla, abre o olhar de quem olha. Além disso, tem a luz que o ser humano possui. Que aquece, contagia e alimenta. Que nesse natal, todos os espectros da luz e dessa influência possam ampliar nosso olhar. Nesse âmbito de luzes fugazes e passageiras, que acendem e apagam muitas vezes preenchendo nosso espírito nessa mesma freqüência, que a luz que recebemos e transmitimos não seja passageira. Que possamos reconhecê-la e ampliá-la. E que possa perdurar por todo o ano, independente da crença e do que venha pela frente. Que possamos nos envolver com isso de forma continuada. E replicar esse espírito por todo o ano. Por todo lugar deixar a luz iluminar e dimensionar o contato. Abrir espaço para a luz. Com palavras, gestos e ações que não se apagam. Lindas festas para você, leitor. E muita luz para todos nós. Dessa que ilumina, amplia, dá consistência, alimenta e perdura.

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