Pular para o conteúdo principal

A ARQUITETURA E AS CIDADES - publicado no caderno ANEXO do Jornal A NOÍCIA de Joinville em 10 de dezembro de 2009.

A ARQUITETURA E AS CIDADES


Terça-feira, dia 15, Niemeyer fez 102 anos. O homem-arquiteto, ícone da arquitetura no Brasil e no mundo, ativo aos 102 anos. Independente de como repercutem suas obras, não há dúvida de que se trata de um grande artista mundial, páreo para Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Gaudi, Santiago Calatrava e demais "artesãos da forma". Eu nunca fui fã dele e de suas obras, mas sou fã da vida. Um século de existência produtiva e criativa nos faz pensar no tempo. Refletir sobre a ideia que "a vida é tão efêmera quanto uma fagulha para o tempo, mas para o homem é tudo". Isso me fez pensar em arquitetura, em Joinville, e em como estamos preparando a nós e a nossa cidade para nossa existência aqui. Obviamente, o tempo cobra seu preço, apesar de todos os recursos possíveis para mitigar os prejuízos da idade. As atividades mais elementares para um cidadão centenário tornam-se fortes desafios quando tais recursos não se colocam à disposição. Estou falando de inclusão universal - inclusão cultural, social, urbanística e tecnológica. A sociedade, a cidade, os meios de comunicação, os serviços públicos e privados têm, para o seu próprio bem, obrigação de amparar dignamente todo e qualquer estado físico e emocional de seus cidadãos. Cidades que excluem seus cidadãos - quer por seus espaços e elementos construídos, suas barreiras arquitetônicas (escadas, degraus e toda parafernália imprópria instalada nas calçadas e praças), falta de sinalização podotátil, sonora e visual entre outros, até o mal atendimento nas instituições, falta de assentos para filas, desrespeito ao parco privilégio dos idosos, grávidas, deficientes permanentes ou provisórios - estão em descompasso com a própria existência. Sim, porque ninguém se imagina numa cadeira de rodas ou de muletas, até quebrar um pé ou perna, ou ter que empurrar um carrinho de bebê, ou ter que atravessar uma rua no tempo do farol com pernas que não são mais jovens. Confortos tão simples e tão raros. Joinville tem uma faculdade de arquitetura. Um curso com viés tecnológico e compatível com a necessidade de formar pessoas para atuar na arquitetura e urbanismo, no paisagismo e na reciclagem. Atuar nas empresas de gerenciamento e execução de obras civis, públicas e privadas, de planejamento urbano e industrial. É preciso pensar numa interlocução desses seres em formação com a sociedade que lhe faz frente. A arquitetura pode muito. Na atual crise das cidades que vivenciamos, sabendo ser a cidade “a coisa humana por excelência” , o estado do homem e das relações que ele estabelece com o espaço que ocupa e constrói, temos que dialogar. Quando se pensa que no Brasil são gastos recursos enormes na realização de planos e de projetos urbanísticos sem que muitas vezes ninguém se preocupe em verificar a eficácia de seus postulados quando levados à prática, vemos a necessidade de se preocupar com o fato de que é na cidade que a vida acontece. Onde seres humanos se relacionam, interagem e se expressam como sujeitos. O que tudo isso tem a dizer aos planejadores urbanos? Há que se pesquisar e responder a isso. Cidades não são objetos idealizáveis abstratamente e nunca se comportam de acordo com as fantasias de quem as trata dessa forma. É preciso saber quais são os verdadeiros efeitos de determinadas ações sobre o meio urbano. Se um dia houve espaço para Niemeyer junto com Lúcio Costa, projetar uma cidade inteira, o exercício de produção de espaços urbanos está mais que na hora de exigir uma boa parada crítica e reconsiderações teóricas. Não é mais possível separar o ato de se pensar em propostas de arquitetura e urbanismo do ato de pensar também suas consequências. É preciso repensar uma área de domínio profissional, propor novos conceitos e re-examinar o que sempre foi proposto como verdade. Problematizar para buscar novas soluções. Como disse Aldo van Eike em 1974: “Apontar as estrelas-alvo antes que os foguetes partam”.

Postagens mais visitadas deste blog

AH O AMOR. O TAL AMOR... É MINHA LEI, MINHA QUESTÃO ;)

Como minha avó, eu poderia dizer que amor é quando, juntos, se come um saco de sal; ou quando de um limão, se faz uma limonada. (mas com ou sem açúcar? ); eu mesma poderia dizer que amor é quando se faz um poema. quando se faz uma canção... quando se canta uma canção, pode ser amor. 
Quintana diz: “O amor é quando a gente mora um no outro”. Danilo Caymmi pergunta “O que é o amor? Onde vai dar? Parece não ter fim. Uma canção cheia de mar que bateu forte em mim”. 

Há quem diga que amor é tirar da própria boca para alimentar alguém, fazer o bem sem olhar a quem. (mas o que é o bem, não é? sabe lá.) Amar é discórdia; e Lacan aponta: “Amor é dar o que não se tem a quem não é”. Acho lindo (achar lindo acho que é amor).

 Eu amo.Tu amas. Nós amamos. Vós amais. Eles amam. Você ama. É a força do verbo. Alguns dizem que amar é jamais ter que pedir perdão. Outros que amar é sofrer. É rir junto e então olhar dentro do olho do outro, e rir mais ainda. Amar é conviver. Morrer. Ceder. Calar. Passar a bo…

MOVIMENTOS EM SI MAIOR ou TOCA RAUL

debaixo de MOVIMENTOS EM SI MAIOR  (diz a lenda  que si maior pode ser uma escala estranha, incômoda e cheia de sustenidos... ),anoiteço.

o que nubla em mim, transparece em meu cristalino. isso é algo que achei bonito mas é também a descrição da catarata. 
como o sangue é rio que irriga a carne, definir é para quando se pode e do jeito que é possível - são afirmações que capturo enquanto permaneço não essencial - tão somente unidade de informação e multiplicação e enquanto, jardim e orvalho, sorrio o doce-amargo de um hiato.
ainda assim, sou de fato objeto da seleção natural. composição molecular e desejo. misto de carbono e água. resultado da oscilação de taxas hormonais. vertigem nos braços de um homem. poção de acasos e paisagem equatorial. fenômeno imprevisto e desintegração. uma nota de perfume depois da passada. o início, o fim e o meio.

quer saber? toca Raul :)

OUTONIAS DE AMOR EM PROSA

sim, estou um pouco desgarrada; um pouco sonâmbula. é que tudo anda meio esquisito e talvez sem explicação. mas sim. acho que se fosse comida, coisa dentro da gaveta e até um poema, claro que seria sorriso dentro dos olhos, boca na pele e som da voz tilintando dentro. acho que sim, se fosse desenho, haveria um canto em branco para preencher. fosse sonho, ainda que acordado, haveria um rubro no ar a avermelhar bochechas. talvez fosse um caminho, e a pele e um roçar de braços no caminho. mas se fosse sonho mesmo,  dentro do sono,  depois dele talvez amanhã; talvez café. e se acaso durasse, sonho e vida, vapor, súplica e assovio; apesar da exatidão matemática e das flores rabiscando o chão, sim, ainda estaria aqui: cativa entre hábitos, maravilhas e aberrações.