quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

CRÔNICA DE ESTRÉIA NO CADERNO ANEXO DO JORNAL A NOTÍCIA EM FEVEREIRO DE 2009


Olho no olho 


ilustração: PAULO GERLOFF



Sentada em frente ao computador tento extrair de mim a crônica inicial. Aquela que me representará, iniciará o contato com você, leitor, e me colocará definitivamente, de frente para o pelotão – olho no olho, sem véus. Tanto preâmbulo me coloca, incontestavelmente, muda. Assim que assinei o contrato, fui ao café que habitualmente frequento, sentei e saquei o laptop. Procedimentos iniciais, abertura de pasta e o silêncio se derramando pela mesa. Todas as quintas – se eu conseguir escrever uma por semana terão sido 44 em um ano. E toda semana falarei de algo: sapato, carrapato, poesia ou aquele grampeador do banco – sempre sem grampos. Peço um café. Sacar o tema, escrever, burilar, lapidar. Toda semana este processo se dará antes que ela possa nascer, antes que ela possa ser – a crônica.

E toda quinta alguém abrirá o jornal e dará com meu texto. Outros abrirão para ler o meu texto. Alguns me farão críticas, outros irão me elogiar, partilhar comigo sobre o grampo do grampeador dos bancos (ou da falta deles). Vou errar, dar bolas fora, acertar no alvo, vou quase chegar lá... e você leitor, estará sempre na minha cabeça. Como alguém já disse, simples e simplesmente porque não há escritor sem leitor, não há cumplicidade sem compromisso e não há jogo sem a troca – você vai pensar no que terei escrito, eu irei pensar no que você desejaria ler. Eu vou ter que cativar você – e como disse Saint-Exupery, ser eternamente responsável por esse ato.
Confesso que sou assolada pelo fácil: uma desculpa qualquer e me livro da obrigação cotidiana de observar para contar. Digo não e volto a observar só pra mim, para os meus devaneios e para meus livros. E não é que mal o pensamento me assola e já é você que está na minha cabeça? Sentado no sofá da sala, no escritório na hora do almoço, chacoalhando no ônibus, no café folheando este caderno exatamente a procura do que terei escrito, lendo meu texto para alguém. Estou irremediavelmente comprometida. Sem você já não sou, porque já sonho com nosso encontro. Então, leitor amigo, façamos assim: Tem aqui o meu email - clozingali@gmail.com - Escreva-me. Critique. Elogie. Xingue. Mostre seus dentes (no sorriso ou no grito), mas não deixe não de se revelar. O editor do jornal estará de olho, junto com você – e eu estarei lá, lembra? De frente para o pelotão – olho no olho, sem véus. Confesso que estou passada dos avessos!

Postagem em destaque

SOBRE QUESTÕES RESPIRATÓRIAS E AMORES INVENTADOS

http://metropolitanafm.uol.com.br/novidades/entretenimento/imagens-incriveis-mostram-a-realidade-das-bailarinas-que-voce-nunca-viu...