Entre tantas
coisas, uma coisa. Interação gravitacional. Plutônio + potássio + açúcar
comum = bomba, injetar gasolina ou querosene em uma lâmpada e quando você
acende = buuum!!! (sim, a onomatopeia é minha). Há também onomatopeias
providenciais, um dia especial e talvez um neurologista que não entenda
nada de amor. Mas ele pode dizer que, ainda que seja improvável, o recomendável
é manter-se isento. Se o constrangimento piora a gagueira, eu não sei
absolutamente nada sobre incêndios e preciso, desmedidamente, ganhar tempo
antes de declarar o que sinto. Então ele me diz que nossa mente tende
a encontrar padrões... Tende? Talvez por isso eu passe lustra-móveis
em todas as portas antes do meu amor chegar. Pergunto ao
neurologista quanto tempo precisarei para viver entre tantas coisas
sem apenas uma? como manter o escrúpulo diante do que me aborda pela porta da
frente? Ele sorri e diz que para abrir ou fechar a porta basta girar a
maçaneta. Que todo o mais pode ser arbitrário ou adjacente.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
terça-feira, 17 de setembro de 2013
SOL QUE NÃO SE MEXE
Eu escrevo para escavar, relatar e resgatar a dinâmica que algumas coisas podem ter: tempo, duração e sentido. Por exemplo: Na noite mais longa do ano, o sol - ao longo de sua dança ao redor da terra, em um momento específico (sim, tudo tem a hora certa) - faz uma espécie de pausa para depois, lentamente, retomar o caminho de volta. Esse momento funda a noite mais longa do ano e recebe o nome de Solstício, do latim, solis + sistere: “sol que não se mexe”. Talvez, pelo motivo-pausa, esse seja considerado um período de recolhimento. Período onde o que o que é escuro subverte o que é claro; talvez para nos permitir um "chacoalhar" por dentro. Porque coisas e pessoas gravitam para nos alcançar e nos fazer balançar por dentro.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
BÁRBARA
Acumulada em devaneios, se olha no espelho. Tira uma a uma as peças de roupa: a blusa última linha da boutique mais cara da cidade, o soutien "eu também tenho peito", o jeans vintage de preço surreal e a bota. Talvez devesse preparar uma mala mínima, comprar uma passagem no cartão de crédito do marido e embarcar parra Macau. Com os olhos amendoados, permanecer impávida nas cercanias chinesas.
do livro 40 Possíveis Maneiras de se Descascar uma Mulher, 2008
terça-feira, 10 de setembro de 2013
por uma razão qualquer....
dia qualquer.
um lugar. eu e você.
nós um. (nada qualquer se parece)
(nesse lugar),
você melodia....
eu desenho...
uma partitura. uma escala de tons.
qualquer coisa de setembro insiste; apesar das flores no chão,
qualquer coisa de setembro insiste; apesar das flores no chão,
apesar do aroma bem aqui (sente).
digo qualquer coisa,
te tirando da testa uns fios de cabelo; num roçar de mãos num dia qualquer,
nos lábios debaixo de um dia de sol qualquer;
e nos olhos depois, numa noite de pizza qualquer.
(nesse lugar),
nós um. (nada qualquer se parece)


quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Ladeando o que pode ser ter 50 anos, penso sobre princípios de aerodinâmica e
combustão. Gisele, uma amiga toda afeita em pequenas magias e coisas
transcendentais escuta meu desabafo: “Gi, preciso de uma garrafada! Aloe vera e
formol juntos será que me adiantam? Resolvem meus problemas?” Gargalhamos
juntas. Gisele diz que para quase todas as coisas, precisamos apenas de dois
dias. Não tem quaisquaisquais;
seja para iniciar um regime, cair na
esbórnia, aceitar ou não uma proposta, mudar a vida em tudo ou em nada: Uma
cesta de métodos mais dois dias de concentração e tudo se resolve. Não vai
ter aloe vera que faça páreo! Quanto ao formol, nem pensar, não é? Por
acaso você deseja, aí bem no seu fundinho, estacionar esse estado de coisas ou
qualquer outro? O movimento rejuvenesce, amiga! Sei bem que os fios
soltos existirão apesar de algumas certezas e palavras de conforto. Palavras rede que agora me parecem aprisionamento diante da fome e do
existir borboleta... um modo de existir que parece pétala, parece
flor que dança com o vento. Harmonia delicada entre a força que impulsiona
as asas para um voo e um viver que é tão fugaz. Um estado de fenômeno
levado às últimas consequências. Feito sopro de hálito quente
que precipita a transformação da lagarta em borboleta. Penso se são
desajustes hormonais ou apenas um tempo de intensidades. Seja como
for, se o tempo não pode ser revertido, a mudança cabe no
oco da mão e espera, sorrateira, por sopros de ar quente.
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