quinta-feira, 1 de setembro de 2011


VAZIOS, SUPER E ANTI-HEROIS

Dia desses me vi a pensar em super-herois e em mundos de fantasia, onde a principal protagonista, parodiando a língua do espetáculo, é a espetacular, a majestosa, a surpreendente... Imaginação. Aquele lugar onde o inconsciente tem voz e palco. Que espaço mais absoluto os super-herois, esses seres sobre-humanos poderiam ocupar? Se há quem possa estar na base das cenas da ilusão e de toda uma sorte de desejos, esses são eles. E o bacana com relação aos super-herois é que suas aventuras expressam fantasias comuns a algumas pessoas ou grupos, e isso carrega o conceito de uma questão que também é do campo da energia. O desejo de poder, por exemplo, é uma das expressões de desejo inconsciente que ganha asas no mundo da fantasia, onde, quase sempre, não há farol vermelho. É lá estão os super-herois rompendo os limites e atuando na busca de valores como justiça e defesa dos necessitados. E é lá então que se vêem coisas como voar, virar pedra, água, fogo, elástico, rede e tantas outras manifestações. Tornar-se invisível, por exemplo. Seja como for, mesmo o mais destemido dos super-heróis possui pontos fracos. Quem não conhece a temível criptonita para o super-homem? Ou, o que seria da Mulher-Maravilha sem seus braceletes? Como se isso não bastasse ela ainda tinha um avião invisível! Enfim, a imaginação é que é um presente. Eu cresci, a Mulher-Maravilha não é mais minha heroína e eu mesma é que tenho que dar conta de descobrir meus super-poderes reais e imaginários para lidar com o dia-a-dia. Isso me coloca no ponto que eu pretendia chegar: Falar de um super-herói que conheci em 2006 e que desde então, sou, absolutamente, fã. Ele é o intrépido, o corajoso, o poderoso, o super, o ultra Super Empty!!! Quem não conhece, segue a sugestão para buscar conhecê-lo. Mora em um livro publicado pela Editora Planeta, de autoria de Luciana Pessanha e José Carlos Lollo.  Um livro branco com um furo na capa. Uma ótima ideia que representa muito bem o super-heroi que traz um buraco, um furo, um vazio, bem no meio do peito. Buraco que depois de incontáveis desventuras, ganhou um E lá dentro para representar o heroi. Ou o anti-herói. Não faz mal. Ele conhece o poder das palavras que nem sempre funcionam, ele fracassa, ele deprime, reconstitui-se e o principal, descobre que através do seu vazio pode enxergar possibilidades de ver mais além. A partir daí atua sobre as perguntas e perguntas sem fim que as pessoas se fazem. Como dizem os autores, não se chama o Super-Empty em casos urgentes como incêndios, crimes, barragens se rompendo ou vilões ameaçando a humanidade; dado que para isso existem os bombeiros, o exército, a polícia e até outros heróis. Super-Empty atua em funções praticamente insolúveis, mas ele senta ao seu lado e mostra como é olhar além. Olhar através dos vazios que temos e enxergar possibilidades. E o melhor: faz isso em 127 páginas deliciosamente ilustradas e repletas de bom humor. Ele é, sem dúvida, uma deliciosa caricatura do desejo de Luciana e José Carlos que descortinam uma heroica maneira de pensar em heroicas soluções para certos estados de caos que desabam vez por outra sobre nossas cabeças. É bem aí que o Super-Empty pode aparecer.


Postagem em destaque

SOBRE QUESTÕES RESPIRATÓRIAS E AMORES INVENTADOS

http://metropolitanafm.uol.com.br/novidades/entretenimento/imagens-incriveis-mostram-a-realidade-das-bailarinas-que-voce-nunca-viu...