Pular para o conteúdo principal

A MINHA, A SUA, A NOSSA ESTÉTICA

A MINHA, A SUA, A NOSSA ESTÉTICA   

De frente para o espelho, penso no formato que as coisas têm. No que tentamos moldar. Minhas unhas, por exemplo: elas tinham um formato antes que alicates se metessem nas cutículas alterando o seu desenho. Talvez por permear esse estranho período eu pense agora que somos máquinas. Máquinas de usar e ser usadas. Por outros e por nós mesmos. E por mais que vozes queiram se instaurar contra isso (até aquelas que vêm de mim mesma), não há mal nenhum nisso. Somos máquinas comandadas por um cérebro, por um inconsciente e por um coração que não mora bem no meio do nosso peito. Se o tempo é a acumulação contínua dos segundos, eu projeto meus sonhos para construir. Para costurar e representar "idéias" que possam traduzir algo qualquer que está mais além e que nem sempre eu posso ver. Algo que, entre outras coisas, tem também uma estética. Se, como dizem, "não importa ser; há também que parecer", é interessante também pensar que nosso ser também se pauta por 
intencionalidade e criação: seguimos por aí subindo e derrapando em ladeiras. Andamos a pé e de avião. De carro e carrinhos rolemã. Saltamos com ou sem para-quedas e nos estatelamos ou não no final de cada percurso. Com mais ou menos escoriações. Somos máquina e matéria com digitais específicas e por vezes mais de um registro de identificação. Com contas aqui, no exterior ou mesmo sem absolutamente nenhum dinheiro no banco. Nenhum tostão dentro dos bolsos. Nus sem mãos no bolso. Não importa. Entre a possibilidade de uma vontade que é potência, por baixo ou por cima de qualquer escombro, somos portadores de sentido e é aí que vem a estética. A modelagem. O quanto o mergulho nesse ato pode nos afundar ou fazer emergir é coisa que não se sabe. Mas sei bem que em algum momento devemos introduzir uma separação, um corte qualquer para canalizar o desejo e dizer: agora eu vou. Com mais ou menos luz. Nessa ou naquela linha. Seja como for, até o formato de minhas unhas indicam uma coisa qualquer que é relativa ao meu desejo e que me estrutura em meio a um vazio e alguma névoa. O vazio que me estrutura, seja eu um monumento em pedra e cal ou um painel misto de opacos e transparências;  mais ou menos nua, mais ou menos sólida. O fato é que sou criatura de desejos. Que interpreta e é interpretada diante do insondável nas relações. Diante dos desafios. Os meus e os de qualquer pessoa. A estética? Bem, é algo que se liga ao novo e que se produz no laço. No contato. Se for criativo, melhor.

Postagens mais visitadas deste blog

AH O AMOR. O TAL AMOR... É MINHA LEI, MINHA QUESTÃO ;)

Como minha avó, eu poderia dizer que amor é quando, juntos, se come um saco de sal; ou quando de um limão, se faz uma limonada. (mas com ou sem açúcar? ); eu mesma poderia dizer que amor é quando se faz um poema. quando se faz uma canção... quando se canta uma canção, pode ser amor. 
Quintana diz: “O amor é quando a gente mora um no outro”. Danilo Caymmi pergunta “O que é o amor? Onde vai dar? Parece não ter fim. Uma canção cheia de mar que bateu forte em mim”. 

Há quem diga que amor é tirar da própria boca para alimentar alguém, fazer o bem sem olhar a quem. (mas o que é o bem, não é? sabe lá.) Amar é discórdia; e Lacan aponta: “Amor é dar o que não se tem a quem não é”. Acho lindo (achar lindo acho que é amor).

 Eu amo.Tu amas. Nós amamos. Vós amais. Eles amam. Você ama. É a força do verbo. Alguns dizem que amar é jamais ter que pedir perdão. Outros que amar é sofrer. É rir junto e então olhar dentro do olho do outro, e rir mais ainda. Amar é conviver. Morrer. Ceder. Calar. Passar a bo…

MOVIMENTOS EM SI MAIOR ou TOCA RAUL

debaixo de MOVIMENTOS EM SI MAIOR  (diz a lenda  que si maior pode ser uma escala estranha, incômoda e cheia de sustenidos... ),anoiteço.

o que nubla em mim, transparece em meu cristalino. isso é algo que achei bonito mas é também a descrição da catarata. 
como o sangue é rio que irriga a carne, definir é para quando se pode e do jeito que é possível - são afirmações que capturo enquanto permaneço não essencial - tão somente unidade de informação e multiplicação e enquanto, jardim e orvalho, sorrio o doce-amargo de um hiato.
ainda assim, sou de fato objeto da seleção natural. composição molecular e desejo. misto de carbono e água. resultado da oscilação de taxas hormonais. vertigem nos braços de um homem. poção de acasos e paisagem equatorial. fenômeno imprevisto e desintegração. uma nota de perfume depois da passada. o início, o fim e o meio.

quer saber? toca Raul :)

OUTONIAS DE AMOR EM PROSA

sim, estou um pouco desgarrada; um pouco sonâmbula. é que tudo anda meio esquisito e talvez sem explicação. mas sim. acho que se fosse comida, coisa dentro da gaveta e até um poema, claro que seria sorriso dentro dos olhos, boca na pele e som da voz tilintando dentro. acho que sim, se fosse desenho, haveria um canto em branco para preencher. fosse sonho, ainda que acordado, haveria um rubro no ar a avermelhar bochechas. talvez fosse um caminho, e a pele e um roçar de braços no caminho. mas se fosse sonho mesmo,  dentro do sono,  depois dele talvez amanhã; talvez café. e se acaso durasse, sonho e vida, vapor, súplica e assovio; apesar da exatidão matemática e das flores rabiscando o chão, sim, ainda estaria aqui: cativa entre hábitos, maravilhas e aberrações.