quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A MINHA, A SUA, A NOSSA ESTÉTICA

A MINHA, A SUA, A NOSSA ESTÉTICA   

De frente para o espelho, penso no formato que as coisas têm. No que tentamos moldar. Minhas unhas, por exemplo: elas tinham um formato antes que alicates se metessem nas cutículas alterando o seu desenho. Talvez por permear esse estranho período eu pense agora que somos máquinas. Máquinas de usar e ser usadas. Por outros e por nós mesmos. E por mais que vozes queiram se instaurar contra isso (até aquelas que vêm de mim mesma), não há mal nenhum nisso. Somos máquinas comandadas por um cérebro, por um inconsciente e por um coração que não mora bem no meio do nosso peito. Se o tempo é a acumulação contínua dos segundos, eu projeto meus sonhos para construir. Para costurar e representar "idéias" que possam traduzir algo qualquer que está mais além e que nem sempre eu posso ver. Algo que, entre outras coisas, tem também uma estética. Se, como dizem, "não importa ser; há também que parecer", é interessante também pensar que nosso ser também se pauta por 
intencionalidade e criação: seguimos por aí subindo e derrapando em ladeiras. Andamos a pé e de avião. De carro e carrinhos rolemã. Saltamos com ou sem para-quedas e nos estatelamos ou não no final de cada percurso. Com mais ou menos escoriações. Somos máquina e matéria com digitais específicas e por vezes mais de um registro de identificação. Com contas aqui, no exterior ou mesmo sem absolutamente nenhum dinheiro no banco. Nenhum tostão dentro dos bolsos. Nus sem mãos no bolso. Não importa. Entre a possibilidade de uma vontade que é potência, por baixo ou por cima de qualquer escombro, somos portadores de sentido e é aí que vem a estética. A modelagem. O quanto o mergulho nesse ato pode nos afundar ou fazer emergir é coisa que não se sabe. Mas sei bem que em algum momento devemos introduzir uma separação, um corte qualquer para canalizar o desejo e dizer: agora eu vou. Com mais ou menos luz. Nessa ou naquela linha. Seja como for, até o formato de minhas unhas indicam uma coisa qualquer que é relativa ao meu desejo e que me estrutura em meio a um vazio e alguma névoa. O vazio que me estrutura, seja eu um monumento em pedra e cal ou um painel misto de opacos e transparências;  mais ou menos nua, mais ou menos sólida. O fato é que sou criatura de desejos. Que interpreta e é interpretada diante do insondável nas relações. Diante dos desafios. Os meus e os de qualquer pessoa. A estética? Bem, é algo que se liga ao novo e que se produz no laço. No contato. Se for criativo, melhor.

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