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O GRITO

O 7 de setembro de 1822 já passou. 189 anos atrás. Mas a simbologia atravessa os anos. Cantar o hino. Hastear bandeiras, desfile de tropas e de estudantes. Lembrar e pensar o quanto esta data, mais do que comemorativa de um fato, exprime o desejo de uma nação. O ato de Dom Pedro é repleto de controvérsias históricas que não cabe aqui falar. Quero dizer é da importância do simbólico na comemoração do dia. E não é à toa que faço isso uma semana depois da data. A despeito de como tenha sido decretada a independência, penso no que isso representa pra nós hoje. No que significa viver em uma nação independente e que tenha força e competência para trilhar esse caminho. Bem sabemos que a independência é um ideal. Não é real porque não existe independência por si só e sim a que se estabelece no contato, nas inter-relações, no jogo de direitos e deveres e tantas outras coisas. No ceder e avançar das diferentes frentes, dos diferentes lados. E isso pode acontecer de forma equilibrada ou não. Enfim, a declaração de D. Pedro envolvia o interesse de muita gente. Pactos com uns e rupturas com outros. E se foi ele que apareceu quando se abriram as cortinas, as coxias e os bastidores fervilhavam. Como se sabe, se o grito do Ipiranga não libertou efetivamente o Brasil, cada bandeira hasteada no dia 7 de setembro aponta para a simbologia do desejo de cada brasileiro e que vai se reconfigurando na passagem no tempo. Vão se ajustando as velas. E isso não ocorre sem embates. Isso se faz com a consciência de que sempre haverá interesses em jogo, e com o conhecimento de que é preciso que o povo detenha consciência política para engajar-se em um desenvolvimento sustentável, organizado e equilibrado. Para que possam ser promovidas mudanças que culminem em uma nação humana, soberana e agindo em inter-relação com outras nações.  D. Pedro I, montado em seu cavalo, desembainha, ergue a espada e proclama: “Independência ou morte”. Um ideal em contraposição ao real. Seja como for, 189 anos depois a simbologia resiste. Por isso a razão dessas datas existirem e serem comemoradas. Porque a simbologia permite que se atravesse o real. Com todas as suas circunstâncias e inconstâncias. Com toda a problemática que pode haver nos enfrentamentos. É só daí que esse sonho de independência pode tomar corpo como algo mais próximo do real. A independência de uma nação está atrelada à independência do indivíduo, coisa só possível mediante o livre acesso à educação e ao conhecimento, entendendo-se aí a concretude de coisas básicas como saúde, alimentação e transporte. É a partir da existência de cidadãos-pessoa que o verdadeiro grito de independência de uma nação é dado.  

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