quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ENTRE JANELAS E PORTAS


Nas minhas andanças por aí, sempre fico me perguntando como é que certas pessoas podem ser tão mal humoradas. Sempre que consigo, penso numa explicação. Ela não deve ter tido um bom dia. Ele deve estar com algum problema. Se a coisa ocorre logo pela manhã, penso que talvez não tenha dormido bem. Vou sendo assim, meio Pollyanna. Sei lá se porque li esse livro quando criança. Talvez. Mas de fato, não gosto de mau humor. Daquele que de tão enraizado vira estilo. Tem gente que gosta. Dizem alguns que ficar sorrindo demais passa atestado de solicitude demais, de paciência demais, de alienação demais. Não sei. Acho apenas que bom humor é vírus. E, como o mau humor, contamina. Nesse sentido penso: ainda bem que há bastante gente contaminada com bom humor também. Espalhando e espalhando sorrisos por aí. Feiticeiros urbanos. Tudo bem que por todos os lados correm notícias ruins e indícios de uma “civilidade” que desintegra cotidianamente. Isso vai refletindo uma espécie de “descontrole” geral do qual ninguém está protegido. Nem a linda senhorinha que todos os dias, faça chuva ou sol, senta-se na cadeira da varanda para tomar ar e olhar o trânsito desconcertante da avenida. E todo vez que passo e a vejo lá, abrimos as duas um sorriso e nos cumprimentamos. Não sei nada dela, além disso. Ela nada sabe de mim também. Apenas trocamos sorrisos. E eu gosto tanto do sorriso dela! Eu acredito no mistério das coisas. Penso que quando fazemos coisas como pensar, imaginar, sorrir e até sonhar, mudanças profundas acontecem em nosso corpo. Corpo esse que é porta para a vida. Quase sinto as células entrarem em ebulição após uma troca de sorrisos. A cascata que se desenvolve depois dessa “efusão” celular é remédio puro e gratuito. Está em cada troca de bons fluidos. Definitivamente, as emoções atuando sobre os nossos sistemas referem a algo que devemos mais e mais aprender a explorar. Se de um lado o tempo esgarça-se à nossa frente e vai denotando egoísmos, violências e mesquinharias, de outro há o sorriso. O bom humor que contamina e pode romper essa dura couraça. Se por trás de cada impulso, que é o véiculo a jato da emoção, há sentimentos que vão se transformar em ações, porque não se deixar arrebatar pelo impulso do sorriso? Não seria uma maneira de carregar a emoção de inteligência? De não permitir que nossas melhores emoções sejam solapadas por hábitos endurecidos? Eu acho que sim. Continuo pensando que impulsos e movimentos negativos e destrutivos são natimortos. Prefiro abrir a janela e olhar a vida que anda para além da minha. Prefiro o mergulho que me permite a transformação. Prefiro janelas às portas.

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