quinta-feira, 22 de julho de 2010

PASSEIO NA CHUVA

Dia desses resolvi dar uma passeada na chuva. Tudo - friozinho, chuva fina e constante, soninho de depois do almoço, uma pilha de coisas para ler, trabalhos para a faculdade, a crônica da semana – me pedia para ficar mesmo em casa. Apontava essa direção. Acontece, porém, que gosto muito de caminhar (e os últimos dias não tinham permitido isso), de modo que, qualquer coisa entre criar coragem e já estar um pouco predisposta, enfiei o pé no tênis (invenção danada de boa pra caminhar), passei a mão no meu guarda-chuva e tranquei a porta atrás de mim. Todas as obrigações ficaram e eu fui.

Comecei a caminhada escolhendo ir de escada. Desci lá os exatos 70 degraus. E saí na chuvinha. Já na rua comecei a pensar nas peculiaridades desse objeto: o guarda-chuva. O meu é fantástico porque é transparente. Eu que sou uma moça olhadeira preferi esse na hora da compra porque poderia olhar pro céu de quando em quando, ver nuvens, relâmpagos, raios. A própria chuva que pinga forte ou devagar, grossa ou fina sobre ele e você vê isso e vê também a água escorrer pelas bordas. Mas eu nem precisava de guarda-chuva transparente para ver outras coisas que vi pelo caminho.

O bacana de fazer coisas diferentes é que tem todo um olhar novo que você coloca sobre as coisas que normalmente vê. São outros pontos de vista em você mesmo. Porque nem sempre as coisas mudam, é você que pode mudá-las (ou não) colocando um olhar diferente naquela mesma direção. Os calçamentos quebrados da Blumenau e da Dr. João Colin, por exemplo, como sou moça andadeira, bem sei que estão lá há bastante tempo. Com a tal chuvinha, imagine... poças e poças pra gente desviar. Ou meter o pé de forma distraída e molhar o sapatinho. Ou torcer o pé! O cruzamento da Benjamin Constant com a Visconde de Mauá já é um desassossego em dias de sol e noites de lua, pense com chuva! É preciso um semáforo urgente – já perdi a conta de quantas vezes corri para a sacada ver mais um acidente. Foram muitos motoqueiros no chão. Gente correndo, triângulos no meio da via, socorro, guincho... Se não for instalado um semáforo ou ao menos um redutor de velocidade, talvez se possa pensar num ponto fixo para um carro do SAMU. Mas enfim, também tem coisa boa. No caminho fui me encantando com meus companheiros de passeio. O alinhado homem com terno e guarda-chuva pretos. A linda senhorinha com sombrinha marrom cheia de minúsculas flores em rosa e verde. O acessório combinava com a calça marrom e o casaquinho bege. Uma graça a senhorinha.

Já lá no centro, a confusão de transeuntes com seus acessórios. Há que ter certo cuidado para desviar o objeto do rosto das pessoas que passam apressadas. Eu por vezes levantava o meu e deixava aqueles que vinham irredutíveis passarem ao largo (alguém tem que ceder, não é?). Mais lá na frente, quando a chuva deu um sossego, uma mulher com sobretudo 7/8, sapato bom de andar tipo aqueles “calçados Vulcabrás” que eu via em propagandas quando era criança, uma bolsa toda cheia de compartimentos, com presilha para guarda-chuvas e o guarda-chuva preso lá. Um charme de mulher “efetiva”, pronta para sol e chuva e para andar! Já na volta uma moça chama minha atenção com seu acessório: Um guarda-chuva branco com algumas pintas pretas e, pense leitor: duas orelhas! E divertida cruzou a via na faixa. Uma graça.

Já na rua de casa peguei a chuva de frente. Inclinei meu objeto transparente e vi aquilo chover em mim sem me molhar. Vi os carros quando mudei de calçada e as pessoas que passaram por mim. Vi até o portão de casa por onde eu ia passar e logo logo tomar um cafezinho quente e degustar a aventura do passeio. “Certos dias, de chuva, nem é bom sair de casa e agitar. É melhor dormir”. Ah. Guilherme, hoje eu tive que cantar sua música sem o NÃO e também tirei a parte do “dormir”. Eu tentei e aconteceu. Valeu!

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