quinta-feira, 1 de abril de 2010

TEIA 2010 - TAMBORES DIGITAIS

Crônica publicada no Jornal A Notícia de Joinville. caderno ANEXO pag.03 em 01 de abril de 2010.

Caro leitor, depois de meu vôo escalar sobre São Paulo e Brasília, finalmente cheguei em Fortaleza; de onde escrevo para contar as novidades da Teia 2010 – Tambores Digitais.

O Programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania – Cultura Viva é um programa do Ministério da Cultura, do Governo do Brasil, e que de acordo com seu idealizador, Célio Turino, Secretário de Programas e Projetos Culturais, nasce do desejo de desesconder o Brasil, conhecendo fenômenos em ebulição e construindo conceitos que se moldem em contato com a realidade viva. E desesconder é coisa linda, não é? Carrega tudo dentro.

Funciona assim a ideia de Célio, posta em prática na gestão de Gilberto Gil , agora continuada pelo Ministro Juca Ferreira, e que envolve o trabalho de muita gente pra continuar dando frutos por esse Brasil: através de editais cada região vai elegendo as entidades sem fins lucrativos para serem conveniadas como Pontos de Cultura; então, se você tem uma ideia, um trabalho que desenvolve, quer propagar isso e ampliar seu trabalho, há nesse projeto um caminho. Se selecionado, terá apoio para pulverizar seu trabalho, sua luta, sua causa, seu desejo.

Essa parceria entre Estado e sociedade civil é o Ponto de Cultura. Ao lado deles, o Programa Cultura Viva integra ainda: Cultura Digital, Agente Cultura Viva, Interações estéticas, Ação Griô Nacional, Escola Viva e outros. Projetos irmãos que ampliam esse desejo. O entusiasmante é a grande TEIA que se tece em torno de desejos diferenciados, mas que no fundo são um só: difusão e fruição de cultura onde os parceiros são agentes culturais, artistas, professores, militantes e todos que enxergam na cultura um modo e uma filosofia de vida. O desenvolvimento e a aproximação entre os Pontos de Cultura propiciam compartilhamento e troca, onde um Ponto apoia e auxilia outro Ponto; e assim vai se configurando uma rede sem demarcações hierárquicas ou geográficas, onde os contatos ocorrem através de ações pautadas a partir das necessidades e ações locais na busca de sustentabilidade e emancipação. Uma ideia de “menos receitadores e mais educadores”.

Tem muita coisa para falar desse projeto. Muito ainda a se conhecer. Quem quiser maiores informações pode visitar os sites http://culturadigital.br/teia2010/ e http://www.cultura.gov.br/culturaviva/. Aqui importa relatar a importância do feito, a beleza e amplitude da ideia. Como bem colocado por Célio numa coletiva à imprensa, o Cultura Viva é, acima de tudo, potência e afetividade. E na TEIA 2010 isso ficou muito claro: generosidade intelectual e trabalho colaborativo. Todos agentes de um processo, tecendo o grande organismo pulsante que é a Nação, visualizada no cortejo que desfilou pela beira-mar em Fortaleza: um cordão de CULTURA VIVA que atravessou os sentidos dos presentes ecoando em outros que serão levados para casa e ampliando um pouquinho mais essa ideia. Mas, como nem tudo são flores, a coisa é política: demanda envolvimento e comprometimento da sociedade. As administrações mudam e é preciso que se vá além de uma política de Estado.

É preciso transformar o Cultura Viva em política pública permanente para que o germe dessa ideia se propague. Para que efetivamente se construa vivência e modo de fazer de acordo com a diversidade que permeia nosso país. Buscar microsoluções que fortaleçam as redes sociais e sedimentem esse germe que fez e faz disparar tantos corações. É assim que se dará o mergulho para “desesconder” o Brasil e seus talentos, de norte a sul, de leste a oeste e também no meio.

Isso tudo destaca, que entre os diferentes tipos de discursos que podemos localizar no nosso dia-a-dia, a grande ação possível refere-se à ampliação de nossas falas e ações, no sentido não dos indivíduos serem pensados e falados, mas o contrário. Porque quando se cria um saber para além daquilo que é proposto e dado como legítimo, quando se colocam dúvidas e questionamentos sobre saberes e fazeres propostos, abre-se a possibilidade para novas lógicas. Para novos discursos. Criam-se rachaduras por onde podem romper novas falas, vindas de atores sociais até então desconhecidos, que dizem respeito ao saber concreto do cotidiano vivido e trazem a possibilidade de mudança e de novas descobertas. Procure saber mais sobre o projeto.

Em São Francisco do Sul há um Ponto de Cultura. E tem muita gente gravitando em torno dessa ideia germe. Trabalhando por ela. Fazendo acontecer. Porque a ideia morre na praia se não trabalhamos por ela. Vamos “tomar a palavra” e criar fissuras no sólido. Vamos ser agentes desse país tão diverso. É um caminho repleto de contradições e de dificuldades como tempo, dinheiro e principalmente do exercício de participação, mas, ao invés da reclamação vazia, é realmente preciso construir novos saberes, novas práticas e novas consciências que possam gerar ações mais instrumentalizadas. Porque só assim a gente pode mudar de faixa. Só assim a gente rompe com as couraças e introduz o novo. Onde quer que seja e haja vida. É preciso criar fissuras. Daí derivam as ações que nos transformam em agentes, que configuram e modificam nosso “ao redor”. Vamos ser agentes?

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