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FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE



55  FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE    30/10 a 15/11 de 2009






De 30 de outubro a 15 de novembro aconteceu a 55° feira do livro de Porto Alegre. Algo que não pode e não deve passar sem comentários. Porque é um exemplo. Porque é de dar água na boca. Aos que escrevem, aos que lêem. A todos. A geografia da cidade atravessada por uma Feira do Livro. Uma praça, ladeada por edifícios cheios de história; onde um dia comerciantes e quitandeiros se juntaram e onde também acontece hoje comércio de artesanatos diversos. Um lugar onde tanto se falou e se fala. Histórias da alfândega, dos comerciantes, dos mendigos, dos que sentam para ler livros, dos que a atravessam. Do espanto dos poetas. Um lugar estampado de palavras, de falas-palavras. Em cada caco do chão. E pela 55° vez, a edição de uma feira de livros. Por toda parte. Inclusive num hospital, onde a feira foi “improvisada” para as crianças que não podem sair terem acesso ao espírito da leitura, da festa. Terem acesso ao ritmo. Vida que pulsa na palavra. Em cada sacola. Na boca. É isso que acontecia nas barraquinhas personalizadas embaixo das imensas paineiras, dos ipês e jacarandás; o chão coalhado de cores e a praça invadida, circulada, vivificada; diante da conversa paralela entre Drummond e Quintana e milhares de fotos. A democracia da palavra. Falada, encadernada, escutada, televisada, sussurada. Os escritores de muitos livros, os de um livro só, e também os de nenhum; os consagrados, os pela primeira vez nessa trilha e os que estarão lá nas próximas edições. As outras mídias envolvidas. Rádio, televisão. Jornais. Uma comunhão, uma vitrine, um oásis. A área dos expositores, dos autógrafos. A conexão com o outro lado da via. Com o rio, com a Bienal do Mercosul. Milhares de pessoas cruzando todas as fronteiras nesse passear em torno de 26 mil m2. Vozes por todos os lados, inclusive a do poste, que através de um sistema de alto-falantes divulga a programação do evento pontualmente. Shows, palestras, mesas de discussão, autógrafos. Informações, segurança. Um mundo envolvido com a circulação da leitura, da escrita, da palavra. Isso sem contar as casas de cultura, exposições, cinemas. Gentes de todos os lugares. Lugares para todas as gentes. A maior feira a céu aberto da América Latina. Literalmente. Para Santa Catarina, o estado homenageado nessa 55° Feira do Livro de Porto Alegre, além da imensa honra, possibilidades de troca cultural, de novas idéias, de verificações, constatações; de encontro, de trânsito com as diversas dinâmicas envolvidas e de mudanças. Aos que lá estiveram e também aos que não, a possibilidade de representatividade, de exposição, de “dar a ver”. Contato. Peles descascadas e o encontro do que há dentro, daquilo que funda, da palavra que nos configura, nos remete, nos assina. A palavra que descortina o homem em sua complexidade. Instaura esse mesmo homem num outro lugar. Estamos todos aqui. Estivemos todos lá. Somos um. Porque nos fundamos na palavra. A que diz, a que silencia. A que se expõe e a que balbucia. A que se arremete nos palcos e a que descansa. Para além do que foi o evento, existem as possibilidades. Que nem o Guaíba. Aquele mar doce. Que em sua origem indígena significa o lugar onde o rio se alarga. Que nem as possibilidades quando a gente silencia e admira o inesperado.

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