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O REI ROBERTO

Crônica publicada no Jornal a Notícia de Joinville em 16 de julho de 2009.

Eu nuca fui fã do Roberto Carlos. Mas lembro, eu devia ter por volta de 8 ou 9 anos, de alguns disquinhos dele lá em casa. Discos pequeninhos, maiores que um cd, mas de vinil. Eram os discos compactos. Se eu não me engano podiam ter duas músicas ou apenas uma. E meu pai tinha alguns dos grandes também. Mas lembro mesmo é de uma tia minha, que era...Como posso dizer? Era “apaixonada” por ele. Tia Irene. Ela colocava os discos e cantava junto. Ou cantava sem disco mesmo. Enquanto lavava louças, arrumava a casa. Puxa... Lembro bem de detalhes de algumas casas em que ela morou. E ela sempre cantarolava aquelas músicas. Mas cantava mesmo. Soltava a voz. Soltava a emoção. Depois passei muito tempo distante dos discos dele, da minha tia Irene também. “Saudades de você, tia”. Eu passei a gostar de outras músicas e fui criando meu repertório predileto e próprio. Fui me apropriando de novos sons, novas vozes. Bem normal. Mas Rei é Rei, não é? E se você esquece alguém trata de te lembrar. Com o passar dos anos, (muitos anos) quando alguém falava do Roberto eu dizia que gostava das antigas dele, da velha guarda. “Comigo aconteceu”, “Deixei meu cadilac”, “É proibido fumar”, “Quero que vá tudo pro inferno”. Discursos que a gente vai tendo e vai mudando no decorrer da vida (Ainda Bem, não é?). Mas sempre soube de cor as músicas que escutei naquela época. “Os botões da blusa que você usava...”. Essa eu canto de trás pra frente. Bobagem... Muitas das outras também! Eu nem sei o nome das músicas. Mas sei cantar. É só começar que a letra se desenrola todinha na minha cabeça. Esse show de 50 anos exibido pela Globo no último sábado me fez lembrar isso. Ele cantou quase todas as músicas que eu escutava naquela época, (“debaixo dos caracóis” ele não cantou...) e eu me emocionei tanto quanto lembro da minha tia emocionada cantando. Sobretudo da emoção dela. “Tantas emoções” como ele diz. E eu, olha só Tia Irene, cantei junto com o rei e fiz companhia à chuva que caía lá e cá. E chorei tantas lágrimas! Uma romântica típica, debulhada em lágrimas diante das palavras seculares de amor. Chorei tantas emoções! “Falando sério...”, “Amanhã de manhã...”, “Eu tenho tanto pra te falar...” Aquela dos botões da blusa, da capa pendurada (que loucura!) eu criança imaginava a cena da capa pendurada... achava aquilo tão cinematográfico, a capa pendurada lá mesmo no quintal da casa da minha mãe. Feito essas que o Maracanã inteiro usava. (Aliás, o “Maraca” estava mesmo maravilhoso!) Acho que era assim mesmo que minha imaginação pré-adolescente vivia e imaginava a emoção. Ou é minha emoção de agora que revive as cenas assim... sabe lá... Falando sério, como é bom você se entregar à coisas que não são do seu hábito e vivenciar esse “novo” sem preconceitos! É muito bom. Continuo não sendo uma fã do Roberto, mas, pensando bem, tudo que lembro suscita em mim “coisas boas”. Assisti o show “Elas cantam Roberto” e assim que sair o DVD gostaria muito de ter um. Lindas interpretações; e a parte final em que todas declaram-se, uma entrando na frente da outra - é muito boa - e assisti esse show dos 50 anos e provei “muitas boas emoções”. É leitor, “uma pedra no caminho, você pode retirar, uma flor que tem espinhos, você pode arrancar, pois se o bem e o mal existem, você pode escolher, é preciso saber viver”. Eu não sou fã do Roberto. Sou fã do amor. Mas sabe? “Como é grande, o meu amor, por você”

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