quinta-feira, 9 de julho de 2009

DEMOROU, VAI SER MELHOR.

crônica publicada no Jornal A notícia de Joinville em 9 de julho de 2009




Domingo. Quinze para as dez da noite. Acabo de voltar de São Francisco. Como sei que a semana seguirá impiedosa na sua batalha pra comer meu tempo – cá estou em frente ao computador. A crônica da semana. Vou tentar livrá-la do caos que se impõe neste final de semestre que não termina.
São Chico é oásis e eu ainda tenho energia da carga que peguei lá. Vou pegar essa onda. Ontem, fez um lindo sábado de sol. Minhas pernas caminharam pelas areias da Praia do Forte, chegaram até o riozinho quase lá no Capri. No caminho muitos pescadores com suas tarrafas, seus barquinhos e suas tainhas. Famílias inteiras ali partilhando aquilo. Inverno, sol, tainhas no mar e nas casas da gente... Mais na frente achamos uns amigos desfrutando do mesmo sol, do mesmo sábado, da mesma areia. Nos esquecemos um pouco por ali, deixando o calor entrar na gente. E lá foram as pernas caminhar de volta. Solzinho no outro lado do corpo, mais pescadores, tainhas, muitas gaivotas e nossas pegadas na areia: as que foram e essas outras que voltaram. Em meio à areia, a cadeira de “salva-vidas” (essa com função de observatório de tainhas) lindamente construída de troncos esbanja sua arquitetura. No alto, sob o guarda-sol, o pescador filma o mar com seus olhos. Nós sorvemos isso tudo.
De volta na Prainha. Uma caipirinha no “Amarelinho”, o bar do Adilson. Incomum a caipirinha dele. Incomum a simpatia e o clima bom do lugar. Uma olhadinha no jornal e já está de não se suportar o frio que vem chegando com a família inteira e muitas malas. No embalo pegamos as nossas. “Vambora já fazê uma fogueira”. E fomos. A alegria dos pescadores lá no mar e na mesa deles e a nossa na churrasqueira: tainha assada, tainha frita, salada de polvo e lula. Os amigos em volta do fogo. O fogo esquentado a gente e a lua enorme iluminando e enxergando tudo.
O domingo amanheceu sem sol. Os restos de ontem espalhados pelo quintal e nas pedras fora de lugar. Mas qual é o lugar das pedras? No meio do caminho, certamente. O fogo ontem hoje cinzas pedindo calor. “Vambora acendê essa fogueira”. Aí alguém fala ao telefone. Parece que tem uma baleia na Praia Grande. E lá saímos nós em caravana. Na Petiscaria Rosemeire nos dizem. “Ela passou por aqui, tomou uma cerveja, mas já se foi. Sorrimos e continuamos a empreitada. Não deve estar longe. No caminho, o carcará pousado numa cerca nos olha. Ele nada sabe da baleia. Observa atento as dunas e o que pode haver pra ele. “...Carcará não vai morrer de fome, carcará pega, mata e come...”. E eis que a vemos. Majestosa. Singrando o mar para o sul. Nobre, vasta nos seus 12 metros? Desliza. Nos deixa ficar ali a namorá-la. Nem sabe de nós. Mas nos dá de presente, sabe lá com quantos litros de ar que há no seu pulmão, dois jatos d’água. Ela sabe do nosso desejo. Sabe sim. E se vai. Damos adeus à bela criatura e voltamos pro nosso fogo. Pra nossa vidinha aqui na terra que agora tem essa história nela pra se juntar com as outras. O fogo vai queimando o domingo que afinal deve terminar. Os meninos lá dentro estão preparando um spaguetti. A gente lá fora tá tentando se esquentar. Final de semana que vem a gente inventa mais. Com tanta correria a semana vôa. Mas também pode demorar. Mas “Seu Jorge” tá rodando lá no CD: “... o clima é de partida, vou dar sequência na vida, de bobeira é que não estou e você sabe como é que é... demorou vai ser melhor”.

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