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Mostrando postagens de Janeiro, 2011
FRACTAIS E ROTINAMaria da Penha, que concluiu seu curso de matemática em 1991, adora brócolis. E não é só para comer. O que Maria gosta, sobretudo, é a forma como ele se apresenta. Um maço verde de flores verdes. Flores de brócolis. Gostava muito quando via sua mãe prepará-lo para o almoço do sábado depois da feira. O maço por cima das outras coisas. Todo o cuidado para não amassar. Despetalava com cuidado separando os pequenos buquês. Colocava-os debaixo da água corrente e depois numa imersão de água e vinagre. Depois iam para o vapor por 2 a 5 minutinhos para ficarem “al dente” e salteava-os em alho e óleo. Acha que sente esse perfume agora adentrando a janela da cozinha. Será sua lembrança ou o vizinho? Torna para o maço de brócolis em suas mãos e se lembra das aulas do professor Aurélio: um bom exemplo de fractal é o brócolis. Fractal vem do latim “fractus” que quer dizer fragmentado, fracionado. A parte está no todo e o todo está na parte. Como as células que contém a nossa histó…
PESSOAS E CRIATURAS
Ciro, olhando bem nos olhos de Adamastor, diz: Ora, ora... para dormir, meu senhor, é preciso apenas, ter sono. Consciência limpa? Tá... Essa é a ideia de felicidade de quem a possui. Só pra quem tem a consciência limpa isso importa. E saiba: são esses mesmos que perdem o sono enquanto os outros são agraciados pelos braços de Morfeu.
Liz admite que tudo é poesia. E ela poema o que transparece aos olhos dos outros. Escreve e pensa: Se ele viesse até mim, de que maneira seria? Telefonaria avisando? Irromperia virando a chave da porta? Não me importa. Estou pronta. Por mais que me custe não custa mais do que resignar-me.
Janaína pula as ondas do mar e oferece uma flor para Iemanjá. Que minha vida seja algo como meus cabelos. Um alvoroçado que permeia e conforma. E quando me dizem que estou diferente, eu digo: É que estou grávida. Estou prenha. Sou bicho que carrega um bicho dentro. A vida é um salto e o encaracolado é minha forma de estar doente.
Pedro diz que o sentim…
FELIPA E O FIM DO ANOFelipa está de aniversário. No dia 30 de dezembro, um dia antes do último dia do ano, ela muda sua idade e sua vida. Todo ano assim. Moça cheia de simbologias que é, desde cedo decidiu que essa era uma data para transformações. E diz: sempre, a cada fim de ano, tenho dois motivos para mudar. Duas razões. Pensa que motivo é coisa de menor importância. Razão é a preponderância de algo sobre ela. Pensa em maçãs. Em Adão e Eva. E na serpente. Escapa das contingências e torna à maçã. Que alivia dores de estômago. A maçã do amor. O afrodisíaco da fruta. Seu casamento atingiu a maioridade e ela pensa no ridículo disso. Afinal, maioridade não vem com data marcada. Aliás, nada. Mas é simbologia de novo. De todo modo Felipa sabe que a maioridade vem quando se investe nela. Percebe pequenas mudanças. Agrega coisas. Manda coisas embora. Dribla asteróides que caem por cima. Ela às vezes se recupera de bombas e coquetéis molotov e pensa o quanto a convivência é uma espécie de m…