Postagens

Mostrando postagens de Julho, 2009

SOBRE ATITUDES E VARINHAS MÁGICAS

Imagem
SOBRE ATITUDES E VARINHAS MÁGICAS


Crônica publicada no Jornal A Notícia de Joinville em 23 de julho de 2009.

Acho que não me engano ao dizer que o leitor, assim como eu e todos os outros que por aí estão na vida, vez por outra esbarramos em coisas, pessoas, situações... Enfim, a gente às vezes dá de frente com barreiras, precipícios, maremotos, terremotos existenciais e pensa: como vou sair dessa? E assim pensamos no que é possível fazer. Em como podemos efetivamente, fazer o que nos cabe diante da dificuldade de agir, das barreiras sociais, políticas, de vida mesmo, onde damos de frente com a couraça do outro, das instituições, e até mesmo com a couraça invisível dos sentimentos que nos rodeiam. Como romper com isso? Como trabalhar com essas contingências e fazer fluir, seja lá o que for? Li algo que falava sobre isso, sobre esse “estar em contato” com o ser humano nessa condição ampliada, de arbitrariedades e barreiras. Sobre remover nossas couraças ideológicas para entrar em conta…

O REI ROBERTO

Crônica publicada no Jornal a Notícia de Joinville em 16 de julho de 2009.

Eu nuca fui fã do Roberto Carlos. Mas lembro, eu devia ter por volta de 8 ou 9 anos, de alguns disquinhos dele lá em casa. Discos pequeninhos, maiores que um cd, mas de vinil. Eram os discos compactos. Se eu não me engano podiam ter duas músicas ou apenas uma. E meu pai tinha alguns dos grandes também. Mas lembro mesmo é de uma tia minha, que era...Como posso dizer? Era “apaixonada” por ele. Tia Irene. Ela colocava os discos e cantava junto. Ou cantava sem disco mesmo. Enquanto lavava louças, arrumava a casa. Puxa... Lembro bem de detalhes de algumas casas em que ela morou. E ela sempre cantarolava aquelas músicas. Mas cantava mesmo. Soltava a voz. Soltava a emoção. Depois passei muito tempo distante dos discos dele, da minha tia Irene também. “Saudades de você, tia”. Eu passei a gostar de outras músicas e fui criando meu repertório predileto e próprio. Fui me apropriando de novos sons, novas vozes. Bem normal…

DEMOROU, VAI SER MELHOR.

Imagem
crônica publicada no Jornal A notícia de Joinville em 9 de julho de 2009



Domingo. Quinze para as dez da noite. Acabo de voltar de São Francisco. Como sei que a semana seguirá impiedosa na sua batalha pra comer meu tempo – cá estou em frente ao computador. A crônica da semana. Vou tentar livrá-la do caos que se impõe neste final de semestre que não termina. São Chico é oásis e eu ainda tenho energia da carga que peguei lá. Vou pegar essa onda. Ontem, fez um lindo sábado de sol. Minhas pernas caminharam pelas areias da Praia do Forte, chegaram até o riozinho quase lá no Capri. No caminho muitos pescadores com suas tarrafas, seus barquinhos e suas tainhas. Famílias inteiras ali partilhando aquilo. Inverno, sol, tainhas no mar e nas casas da gente... Mais na frente achamos uns amigos desfrutando do mesmo sol, do mesmo sábado, da mesma areia. Nos esquecemos um pouco por ali, deixando o calor entrar na gente. E lá foram as pernas caminhar de volta. Solzinho no outro lado do corpo, mais pe…

ADÁLIA E QUASAR

Imagem
ADÁLIA E QUASAR
Crônica Publicada no caderno ANEXO do Jornal A Notícia em 02 de julho de 2009.

“Posso cheirar você?” Foi exatamente essa a pergunta que ela fez ao homem que amava. Aquela pergunta, ao se esbarrarem por acaso no meio da rua o deixou qualquer coisa entre estupefato e vibrante (ele desejava imensamente a mulher), e surpreendeu-se. Sem que ele respondesse ela se aproximou, tocou uma das mãos dele com a sua, se apoiou e cheirou. Cheirou profundamente. Atrás da orelha, o pescoço e o rosto. Respirou o cheiro. O agridoce. Eles não se comunicavam mesmo. Não sabiam usar a linguagem verbal quando se encontravam e então silenciavam. “falar o que?” Não havia nada para ser falado. O “posso cheirar você” dava conta do que havia para ser entendido. Embevecida diante do cheiro que sentiu ela buscou seus arquivos. “Parece que há uma espécie de teto no alto na cavidade nasal que responde por essa questão do “cheiro” humano. Os resultados ainda são conflitantes... mas... de todo modo, seus …