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Ilustração: Eva Armisén |
pelo sulco do olho verte uma lágrima. ato ridículo e baldio como carta de amor nunca escrita. uma lágrima furtiva. rútila. apenas para edificar a dor: dar equilíbrio e resistência.
galhofeira, insiste em frente ao espelho; um tanto lânguida (vês?). amarra com arame as lacunas para estar assim: súbita e obscena.
dedilhante, suprime o ar da palavra faz cardume de desejos em franca apnéia; divide o mar com arraias: heterônima e abandonada. cerzida e voadora.
depois, farpa os espaços por puro capricho. coloca a palavra deserto no meio da palavra água pelo prazer de ver tudo desandar. por delirar vítrea, viscosa e febril.
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