ADÉLIA





ADÉLIA

em meio a alfinetes, tesoura, aranhas e o remanso do entorno; enquanto oscila, sentada ao pé da cama, a moça admite: sim, sou romântica. o que mais deseja, na flor de uma belezura difícil porque sagaz e ladina, é dizer que sim sem medo da voz sair baixa ou entrecortada pelo susto (parece susto?). apesar do outono que desponta e da pele que se dobra anda suspensa em flores:  hibiscos em hemorrágico despetalar. ela pensa em um alçar de aves – na urgência da boca a se dobrar em nervuras e em outros descaminhos. deixa que seu corpo ocupe o necessário espaço em cada cada passo. ocupe o necessário espaço no tempo que a conduz a cada novo movimento. aguarda em seu corpo e em tudo que oscila nesse espaço de ausência: poema e travessia.

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