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EU CATEDRAL

Catedral do Lixo de Vince Hannemenn
http://www.nopatio.com.br/ecofriendly/arte-sustentabilidade-e-arquitetura-catedral-de-lixo/

Mesmo que por algum ponto de vista obtuso ou não eu possa ser designada como ser biopsicossocialespiritual de fato sinto que sou argamassa cal e cimento, tijolo sobre tijolo e os ferros que fazem a amarração. Sou o vento que bate no rosto, o sol sobre a cabeça a pinga no final do dia e quem sabe isso tudo mais todos os meus erros de cálculo, meus destroços e a tentativa de formar um cômodo onde eu possa me abrigar de mim mesma e abrigar tubulações pra um dia ver a água jorrando da torneira e enxaguar o rosto ou tomar um copo dela ou mesmo meter a cabeça embaixo dela. Trago em mim fissuras estruturais, pilares e vigas e um enorme baldrame que serve de base para a inconstância das movimentações a que estou sujeita embora os efeitos de um sorriso cheguem até a superfície me descortinando feito vértebra depois um solavanco ou beijo de supetão e deve ser por isso que sob determinados ventos eu pareça quase desabar feito parede solteira no meio da sala de estar vendo todos de boca escancarada na sala de jantar. Sou tijolo sobre tijolo dos sonhos da casa inteira e suas partes, da torneira e da água jorrando sobre minha nuca e meus olhos enxergando o ralo da pia e meus ouvidos escutando o barulho da água cair e o resto repleto de silêncio e vontade.

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AH O AMOR. O TAL AMOR... É MINHA LEI, MINHA QUESTÃO ;)

Como minha avó, eu poderia dizer que amor é quando, juntos, se come um saco de sal; ou quando de um limão, se faz uma limonada. (mas com ou sem açúcar? ); eu mesma poderia dizer que amor é quando se faz um poema. quando se faz uma canção... quando se canta uma canção, pode ser amor. 
Quintana diz: “O amor é quando a gente mora um no outro”. Danilo Caymmi pergunta “O que é o amor? Onde vai dar? Parece não ter fim. Uma canção cheia de mar que bateu forte em mim”. 

Há quem diga que amor é tirar da própria boca para alimentar alguém, fazer o bem sem olhar a quem. (mas o que é o bem, não é? sabe lá.) Amar é discórdia; e Lacan aponta: “Amor é dar o que não se tem a quem não é”. Acho lindo (achar lindo acho que é amor).

 Eu amo.Tu amas. Nós amamos. Vós amais. Eles amam. Você ama. É a força do verbo. Alguns dizem que amar é jamais ter que pedir perdão. Outros que amar é sofrer. É rir junto e então olhar dentro do olho do outro, e rir mais ainda. Amar é conviver. Morrer. Ceder. Calar. Passar a bo…

MOVIMENTOS EM SI MAIOR ou TOCA RAUL

debaixo de MOVIMENTOS EM SI MAIOR  (diz a lenda  que si maior pode ser uma escala estranha, incômoda e cheia de sustenidos... ),anoiteço.

o que nubla em mim, transparece em meu cristalino. isso é algo que achei bonito mas é também a descrição da catarata. 
como o sangue é rio que irriga a carne, definir é para quando se pode e do jeito que é possível - são afirmações que capturo enquanto permaneço não essencial - tão somente unidade de informação e multiplicação e enquanto, jardim e orvalho, sorrio o doce-amargo de um hiato.
ainda assim, sou de fato objeto da seleção natural. composição molecular e desejo. misto de carbono e água. resultado da oscilação de taxas hormonais. vertigem nos braços de um homem. poção de acasos e paisagem equatorial. fenômeno imprevisto e desintegração. uma nota de perfume depois da passada. o início, o fim e o meio.

quer saber? toca Raul :)

OUTONIAS DE AMOR EM PROSA

sim, estou um pouco desgarrada; um pouco sonâmbula. é que tudo anda meio esquisito e talvez sem explicação. mas sim. acho que se fosse comida, coisa dentro da gaveta e até um poema, claro que seria sorriso dentro dos olhos, boca na pele e som da voz tilintando dentro. acho que sim, se fosse desenho, haveria um canto em branco para preencher. fosse sonho, ainda que acordado, haveria um rubro no ar a avermelhar bochechas. talvez fosse um caminho, e a pele e um roçar de braços no caminho. mas se fosse sonho mesmo,  dentro do sono,  depois dele talvez amanhã; talvez café. e se acaso durasse, sonho e vida, vapor, súplica e assovio; apesar da exatidão matemática e das flores rabiscando o chão, sim, ainda estaria aqui: cativa entre hábitos, maravilhas e aberrações.