Pular para o conteúdo principal

LUZ E SOMBRA
 
A luz, quando ilumina o que está escuro, propicia a possibilidade de se enxergar. Ao menos, aponta algo. Pode ser forte e ofuscante, às vezes clareando ao ponto de cegar, e pode ser um pontinho bem fraco e suave como vindo de um abajur. Cria clima. Favorece ângulos. Evidencia defeitos. Evidencia a vida como ela é. A luz, entre outras tantas coisas, é fenômeno que propaga energia e potencializa a crença no caminho. Na melhor das hipóteses, favorece e sustenta o passo. O que é iluminado pode também refletir. Que nem a lua. E dentro da imensidão das coisas relativas à luz, uma parte refere-se ao que pode se iluminar enquanto letras formam frases e frases formam ideias e pensamentos vão se tecendo dentro da gente. Quanto mais pensamos, mais vemos o assunto se iluminar e criar perspectivas. Perspectivas são talvez como as lentes fotográficas; filtram o olhar, dão convergência, divergência, distorção, profundidade de campo, mais ou menos foco e outros tantos artifícios que fazem parte do universo de fotógrafos, iluminadores e diretores de imagem. Ao fim voltam para nós e não podemos mais fazer de conta que não vemos... o olhar se abriu :) Mas muita luz também pode confundir; e talvez por isso certas vezes preferimos a sombra. Mas cá entre nós... sombra não é, necessariamente, conforto. A luz é cinematográfica. A sombra também. Ambas alteram a perspectiva e mexem com o imaginário. Escondem, evidenciam, nublam e abrem o olhar de quem olha. E a partir de apenas um olhar, todo um novo jogo de perspectivas pode começar... Jogos da vida. Nesses dias, desejo luz e sombra para todos nós. Perspectivas para descortinar o que se mostra e o que se esconde. Em nós e fora de nós. Eis aí uma das faces do grande mistério que é atuar nos palcos da vida.

Postagens mais visitadas deste blog

AH O AMOR. O TAL AMOR... É MINHA LEI, MINHA QUESTÃO ;)

Como minha avó, eu poderia dizer que amor é quando, juntos, se come um saco de sal; ou quando de um limão, se faz uma limonada. (mas com ou sem açúcar? ); eu mesma poderia dizer que amor é quando se faz um poema. quando se faz uma canção... quando se canta uma canção, pode ser amor. 
Quintana diz: “O amor é quando a gente mora um no outro”. Danilo Caymmi pergunta “O que é o amor? Onde vai dar? Parece não ter fim. Uma canção cheia de mar que bateu forte em mim”. 

Há quem diga que amor é tirar da própria boca para alimentar alguém, fazer o bem sem olhar a quem. (mas o que é o bem, não é? sabe lá.) Amar é discórdia; e Lacan aponta: “Amor é dar o que não se tem a quem não é”. Acho lindo (achar lindo acho que é amor).

 Eu amo.Tu amas. Nós amamos. Vós amais. Eles amam. Você ama. É a força do verbo. Alguns dizem que amar é jamais ter que pedir perdão. Outros que amar é sofrer. É rir junto e então olhar dentro do olho do outro, e rir mais ainda. Amar é conviver. Morrer. Ceder. Calar. Passar a bo…

MOVIMENTOS EM SI MAIOR ou TOCA RAUL

debaixo de MOVIMENTOS EM SI MAIOR  (diz a lenda  que si maior pode ser uma escala estranha, incômoda e cheia de sustenidos... ),anoiteço.

o que nubla em mim, transparece em meu cristalino. isso é algo que achei bonito mas é também a descrição da catarata. 
como o sangue é rio que irriga a carne, definir é para quando se pode e do jeito que é possível - são afirmações que capturo enquanto permaneço não essencial - tão somente unidade de informação e multiplicação e enquanto, jardim e orvalho, sorrio o doce-amargo de um hiato.
ainda assim, sou de fato objeto da seleção natural. composição molecular e desejo. misto de carbono e água. resultado da oscilação de taxas hormonais. vertigem nos braços de um homem. poção de acasos e paisagem equatorial. fenômeno imprevisto e desintegração. uma nota de perfume depois da passada. o início, o fim e o meio.

quer saber? toca Raul :)

OUTONIAS DE AMOR EM PROSA

sim, estou um pouco desgarrada; um pouco sonâmbula. é que tudo anda meio esquisito e talvez sem explicação. mas sim. acho que se fosse comida, coisa dentro da gaveta e até um poema, claro que seria sorriso dentro dos olhos, boca na pele e som da voz tilintando dentro. acho que sim, se fosse desenho, haveria um canto em branco para preencher. fosse sonho, ainda que acordado, haveria um rubro no ar a avermelhar bochechas. talvez fosse um caminho, e a pele e um roçar de braços no caminho. mas se fosse sonho mesmo,  dentro do sono,  depois dele talvez amanhã; talvez café. e se acaso durasse, sonho e vida, vapor, súplica e assovio; apesar da exatidão matemática e das flores rabiscando o chão, sim, ainda estaria aqui: cativa entre hábitos, maravilhas e aberrações.