De novo é julho. É julho e talvez não
importe o que eu poderia falar: as chuvas que não cessam, o frio lá do norte,
as perspectivas para o próximo ano ou mesmo para amanhã. É julho; e talvez por ser o meio entre o que há e o que pode haver, o que vejo de olhos arreganhados é o tecido que cobre minha pele e eu quero
desmanchar. Trama por trama para estar nua entre o que foi e o que pode ser. Entre os escombros. Tudo quer voltar. Até os passos que
não dei aos 2 anos. As mãos nas cordas do violão que meu pai tanto queria
que eu tocasse. As linhas me trouxeram até aqui. Estou dentro delas. Dentro das cordas do violão. Dentro dos fios que fazem a trama do tecido e da minha pele e que seguem ao infinito. O caminho é cheio de bordados: desenhos no tecido
que eu tenho que desfiar. Estou costurada nas paralelas. Bordada em osso e carne. Em fibra e desejo. Dentro do buraco da agulha. Sinto no ar um perfume. meu cheiro? Um perfume de begônias Quem é essa mulher toda nua? essa que me espia enquanto enfia e retira a agulha do tecido?
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minha amiga..... costurando com linhas de palavras, palavras de agulhas... tecidos, peles, pêlos.... texturas, sons, sensações.....essa é a Clô!
ResponderExcluirsua adorável :)
ExcluirE então que as palavras da Clô desfilam diante de todo um novelo de fios coloridos... Olhos de maresia cheia! Clô é um deleite para os nossos fatigados olhos, desejo desejoso de desejar o anseio alheio! Coisa de mulher que veio pra brincar de ser gente e acaba sendo mais gente que a gente.
ResponderExcluirLinda! Saudade...
Que bom que vc continua escrevendo crônicas.
ResponderExcluirHoje eu qualifiquei a tese, agora só faltam um ano e meio para o fim do doutorado. Mas quero te ver antes disso, claro :)
caramba!!!!! isso é notícia muito boa!! QUERIDO... SAUDADE DE VOCÊ :)
ResponderExcluirMuito bom, querida escrivinhadora. Amei! João
ResponderExcluirobrigada pela visita João! que bacana que gostou :) um abraço!
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