sexta-feira, 19 de agosto de 2011


CATARINA E A ECONOMIA

Catarina, a moça que tira cópias de sua monografia na sobreloja de um centro empresarial na cidade, pensa na palavra copiar. Ela lembra, quando era mais nova, que copiar era pedir o caderno emprestado para copiar à mão as aulas que tinha perdido. Era trabalhoso, mas eficiente. Um modo de estudar o conteúdo que havia perdido. Pensa que as coisas no mundo estão ficando bem mais simples desde que inventaram a roda.  Até dizem isso em tom de sarro quando alguém está querendo recompor os primórdios de qualquer coisa... e lá vem a frase: “Você quer o quê? Inventar de novo a roda? Na natureza nada se cria, tudo se copia”. Copiam até dinheiro... Nesse ponto ela se assevera. Por vezes lhe parece difícil compreender a economia e as coisas do dinheiro. Ela sabe que quando o governo imprime o papel que todos, inclusive ela, tratam como dinheiro, os juros sobem e acontece a tal matemática que os economistas chamam de inflação. Porque que quando se coloca mais dinheiro no mercado (e isso é uma ideia falsa de que há mais dinheiro em jogo) o que acontece é que a entrada desse dito papel-moeda provoca uma redução no seu valor, ou seja, seu 1 real passa a valer, por exemplo, 0,80 centavos. Mas em relação a que? Ela pensa que devem ter um padrão de estabilidade qualquer... Pensa se é o ouro dos tempos de D. Pedro ou o dólar. Mas se for o dólar, é dinheiro em relação a dinheiro? Quem tem as respostas certas? De tanto ver televisão, Catarina pensa que não importam as respostas e sim as perguntas. E o que a intriga muito são as perguntas... “Quem determina, quem desencadeia, quem deseja, quem impulsiona e faz acontecer?”. Seja como for, depois da era virtual ela não entende mais quase nada. Desde que criaram a palavra crédito, vive-se em ilusão. O que é crédito? É algo que não se pode ver ou tocar e que um outro te dá em nome de garantias quaisquer. E o pior, essa “coisa” virtual compra coisas reais. Catarina explode isso à enésima potência e pensa de quem é essa conta. Minha é que não é! Ela pensa no seu extrato bancário e no dinheiro que está lá. O extrato diz que o dinheiro está lá (e ela pode tirá-lo se quiser), mas ao mesmo tempo, sabe que o banco está usando esse mesmo dinheiro, emprestando para alguém, comprando algo... sabe lá! Quantos são donos do dinheiro que ela pensa ter no banco? Parece é que o valor do dinheiro que ela tem é multiplicado muitas vezes. E isso desde que mundo é mundo porque ela sabe muito bem que houve tempos em que a moeda era de prata, com o tempo foi perdendo a quantidade de prata em sua liga até virar cobre... inflação igual. Ela só sabe, a despeito da monografia que vai apresentar à banca na semana que vem (e isso é bem real), que em tempos de cólera muitas dúvidas emergem e pairam. Depois ficam indo e vindo. Que nem a moda. Agora, por exemplo, talvez quem tenha nascido depois de 80 não saiba a resposta para uma antiga pergunta que volta à baila: quem matou Salomão Hayalla? É ver para saber, ou perguntar para alguém que já sabe. É mais fácil do que saber o que acontecerá com ações que comprou e pensava estar fazendo um grande negócio... Quem, afinal, rebaixou a classificação dos títulos do tesouro americano? Ela é tão introspectiva, mas não pode nem deve ser alheia ao que pensa ser e ao que pensa ter. O seu lastro não pode ser perdido.

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