quinta-feira, 5 de agosto de 2010

REMINISCÊNCIAS DE UMA PELADA

REMINISCÊNCIAS DE UMA PELADA


Oi Luís. Ontem falaram de você lá no boliche. Foi uma conversa de que não participei. Falo isso porque quero dizer que apenas escutei um rabinho da conversa. Quando escutei seu nome senti saudade, sabia? Tanta, que acho que esse tempo todo estive disfarçando. Não que eu goste, mas é o que se pode fazer. A verdade é que tenho saudade de você e ponto. Ponto. Ponto para eu abrir um novo parágrafo ou simplesmente continuar exatamente de onde parei. Sabe onde parei? Nunca, um dia sequer, eu não senti saudade. Ficou um vazio enorme e eu coloquei uma porção de coisa no lugar. Tanta coisa. Fiz até um doutorado. Muitos sonhos acalentados. Distrações várias. Muita distração para tirar o foco de luz da saudade. Eu precisava “jogar” você pra escanteio. Recomeçar o jogo depois da bola ter violado a linha. Mesmo pelo ar. Isso é escanteio, certo? Escanteio é de onde surge a possibilidade de alguém fazer gol, não é? Pois então. Passei essa bola para alguém bater e saí da frente da televisão. Nem vi se foi certeira pro gol. Foi? Sei lá. Nem me conte. Eu é que fui pra escanteio e acho que estou lá até agora. O escanteio virou limbo. Limbo, que é o lugar onde a gente fica em estado de “pause”. Só os ponteiros no relógio andam e a cena fica lá. Paradinha. Agora, sei lá quem foi que desapertou o botão. Eu nem percebi como. Quando vi estava no canto do campo, a bola ali pedindo pra ser chutada e o maldito “pause” dentro de mim. Dentro de mim. E de novo tenho opções em demasia só para piorar o confuso do meu estado. Acho que não te coloquei pra escanteio. Eu fui pra lá. Pra esse canto do campo onde botam fé na gente, esperam um chute certeiro. E que alguém pegue de rabeira e faça o gol. Eu não chutei com garra e fé. Sequer fechei os olhos e chutei. Não aleguei contusão. Não veio maca. Eu simplesmente deixei a bola pra outro. Desisti. Desistir é verbo de ação. Ação de quem não age. De quem prefere fugir. Eu quase vi seu rosto naquele momento. Um certo alívio misturado a uma certa perda. Será? Confesso que senti um enorme alívio. Pensei ter adentrado o paraíso – espaço qualquer sem rastro nenhum da sua ausência. Sem a presença da ausência. Dias bons aqueles da sua ausência. E agora? De onde vem essa lembrança do som da sua voz? De onde vem para me invadir assim? Me fazer descobrir que ainda estou sob o aperto do botão. No jugo. No canto. De novo com a bola no pé. Você ali no meio. Quer que eu chute pra você meter o pé e fazer o gol. É você quem quer fazer o gol. Eu quero chutar pra você. Quero? Quer saber, Luis? Tô tirando meu time de campo. Fica você com o uivo da galera. Com o êxtase do momento. Chama o juiz. Pede cartão vermelho. Surta de verdeamarelo dentro do campo e me esquece. Vê se me esquece. É só um jogo. Só uma bola rolando. Tinha graça eu adorar o som da sua voz, o seu sorriso, o seu beijo molhado e deixar a bola metida dentro da rede? Eu preciso mesmo de um bom tiro de meta. Reiniciar essa partida do zero. Afinal, a bola saiu completamente do campo pela linha de fundo. Sem gol marcado. E o último toque você sabe de quem foi. Isso não se pode negar. Então tá falado. Eu fui. Se não tiver bom pra você, reclama lá com o cara de preto. Na dúvida, ele apita.

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