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Mostrando postagens de Julho, 2015

ADÁLIA E QUASAR

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ADÁLIA e QUASAR (texto originalmente publicado no Jornal ANotícia em 02 de julho de 2009); agora prosa para OuVer :)

ROMANCEAMENTOS

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ROMANCEAMENTOS


não é pelo relato dos juros, correção monetária ou pelo dinheiro que me chega via caixa postal; mas porque devo admitir, embora muito me custe, que sibilo ainda ao lembrar dele. faço isso contínua e silenciosamente. é inútil. mas não é estranho. modelo o barro e me embalo na rede antes e depois das febres como um rubro gesto de atear fogo em abismo. aqui não brisa tanto e, ainda assim, permaneço equivocada e conjugando verbos manuelinos. é então que tomo, sem pestanejar, o trem noturno para Lisboa. nada mais de albergue espanhol ou balas de caramelo. o closet passou a língua nas coisas, o amor ficou nos tempos do cólera e eu na antiga cadência. no fogo que o vácuo fez.

SÉRIE DESABAFOS INCONFESSÁVEIS 1

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 "A mais sórdida pelada é de uma complexidade shakespeariana"                                         Nelson Rodrigues 

CRONIQUETA DE JULHO

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Croniqueta de Julho

De novo é julho. É julho e talvez não importe o que eu poderia falar: as chuvas que não cessam, o frio lá do norte, o frio daqui ou as perspectivas para o próximo ano. Tudo isso porque, de novo é julho. E de novo e eu não tenho outro assunto que não seja o amor. Esse tecido que cobre minha pele e que quero desmanchar. Trama por trama. As paredes que fazem a casa onde estou e que desejo ver ruir para estar só. Tudo quer voltar. Até os passos que não dei aos 2 anos. Até as mãos nas cordas do violão um dia. As cordas me trouxeram até aqui e eu estou dentro delas. Estou dentro das cordas do violão. Nas linhas do tecido. Elas levam ao infinito e eu estou dentro delas. O caminho para o infinito é cheio de bordados; desenhos no tecido que eu tenho que desfiar para seguir. Estou costurada nas paralelas. Dentro do buraco da agulha. E o amor que sinto desejo que corte. Que seja faca, tesoura. Que corte o tecido bem no meio das linhas e me deixe pendurada nas bordas. O tecido …

TURBULÊNCIA VIRAL

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TURBULÊNCIA VIRAL




de viés, sob o baixo dos olhos, o homem faz silêncio. se perguntasse, diria que, ainda que inexata, sinto agora estar mais demonstrável. por exemplo: aceito a ideia da mente como máquina de fazer relevâncias; sigo aberta e precipitada. exagero nas cores do que me anima e na amplitude do meu abandono: ossos e músculos me carregam sob alcunhas diversas. estou quase em paz. se ele, debaixo dos olhos, perguntasse, diria ainda que com mais ou menos ferrugem nos nervos, ainda sou volúpia e aconchego; fertilidade e seca. diria bem calma e pausadamente, que em cada palmo de mim o sol brilha e se apaga; que acato flores de cerejeira e revoadas de pássaros. aceito e acato o que chega e o que vai. procuro nas coisas vagas, cadência; e se for preciso, eu brigo. ele, de olhos baixos, talvez anotasse coisa qualquer no papel. talvez escutasse.

PROSA DESARTICULADA EM SI MAIOR

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PROSA DESARTICULADA EM SI MAIOR 
se de acaso em acaso respiro e transpiro, virada em palavra sigo dentro de um tempo que me soa agora mais determinado. em meio ao que me varre e assusta deparo com a ideia de esvair e secar. da profusão do mergulho na cheia da maré, da composição, da melodia e de juntar as coisas segundo um critério. em meio ao que me voa e assombra deparo com um olhar.  a beleza e o vazio de um olhar. no mais, mesmo que eu estranhe, talvez tudo seja leite derramado sobre natureza morta. choque e ausência de cor. vento e vertigem. se a vida é mesmo bobagem e irrelevância, liberdade e impotência, eu sigo. acho que viver é inspirar e seguir.