
captação, síntese e invenção são fronteiras com que deparo na orfandade. descolonizada e fraturada no encalhe penso se é o fim do ato. o amor faz volteios na coxia; ricocheteia. ao fim de tudo, de todas as coisas, ao fim e ao cabo, salto de bota e tudo por sobre o abismo e a angústia: desde sempre sei que se não se salta, não se compreende; o tamanho do abismo ou seja o que for, até do meio-fio. pronto: agora tudo é blues. talvez por isso saco o tambor do profundo das águas e de um supetão tasco-lhe uma sequência de saraivadas com o oco da mão e palma. No vão e na cunha da palma, tem fresta e silêncio, um mar de (des)exatidão. nos dedos e no canto da palma, perspectiva e talvez um olhar que ressoa e faz horizonte e brilho.... ainda assim não posso evitar olhar no espelho e ver seus olhos. mas pedra a gente joga e mostra a mão. entendo que mãos, tambor, boca e voz são instrumentos de sentido e razão. de percussão. e sei da pedra. e que abaixo dela tem ebulição. não quero dormir. estar com o casco cravado na areia dá convergência. eu ganho perspectiva para descortinar o que se mostra e o que se esconde ali. entre o casco e a areia. bem ali onde seu olho me olha; bem ali debaixo da nau e do encalhe. bem debaixo da tua graça; da tua boniteza; Arlindo Orlando.
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