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BALANÇO ATÔMICO-PATOLÓGICO




Sim, sou esquizofrênica. Sou e tenho vários "sintomas co-existentes"... Agitação, variações de humor, insônia, depressão... a lista é grande. Acho que é por isso que tomo tantos medicamentos... e que por isso também a lista dos efeitos secundários adversos dos medicamentos prescritos para esquizofrenia: de diabetes a tremores passando por efeitos secundários também dos medicamentos prescritos para sintomas co-existentes... tem coisa...mas ele disse que tudo está no manual. Basta segui-lo e não se preocupar. O que eu disse? Elementar caro Watson, nada. Eu não discuto com médico. Eu acato. Simples assim. Não gosto de contrariar o doutor. Às vezes, talvez muitas vezes, as pessoas agem de modo malicioso. Aparecem pensamentos estranhos e coisas que até deus põe em dúvida... aliás, deus existe? não sei... Às vezes, quando me perguntam algo, acho que demoro um pouco pra responder... acho estranho responder rápido.  E tem pergunta que choca a gente... aí a gente deita falas e olhares meio vagos... acho que é ação e reação... acho essa ideia bonita pelo menos. Eu tenho um jeito assim um pouco confuso mas Às vezes falo tão bonito... Certas coisas não tem muita explicação. Mas ainda assim são coisas bonitas. Por exemplo, o fato de eu me sentir assim tão despedaçada, de amar tanto e achar que porque amo algo encantado e invisível vira palavra, de achar que porque venta, as palavras espalham cheiro de jasmim... parece estranho. Mas é bonito. Sinto mesmo o cheiro de jasmim algumas vezes! São indícios... Para Alguns. Deve ser por isso também que pinto as unhas de azul, devoro uma nhá benta e compro um porta-guardanapos da coca-cola; deve ser por isso que escrevo e reescrevo um texto mil vezes e outras vezes, num rompante. Na superfície e no que é dentro de mim, cada palavra é coreografada por átomos; cada gesto é permeado de palavras e vítima delas. Entre outras coisas, os átomos se dividem e fazem festa quando não estou em casa. (mas isso eu não disse ao médico).


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AH O AMOR. O TAL AMOR... É MINHA LEI, MINHA QUESTÃO ;)

Como minha avó, eu poderia dizer que amor é quando, juntos, se come um saco de sal; ou quando de um limão, se faz uma limonada. (mas com ou sem açúcar? ); eu mesma poderia dizer que amor é quando se faz um poema. quando se faz uma canção... quando se canta uma canção, pode ser amor. 
Quintana diz: “O amor é quando a gente mora um no outro”. Danilo Caymmi pergunta “O que é o amor? Onde vai dar? Parece não ter fim. Uma canção cheia de mar que bateu forte em mim”. 

Há quem diga que amor é tirar da própria boca para alimentar alguém, fazer o bem sem olhar a quem. (mas o que é o bem, não é? sabe lá.) Amar é discórdia; e Lacan aponta: “Amor é dar o que não se tem a quem não é”. Acho lindo (achar lindo acho que é amor).

 Eu amo.Tu amas. Nós amamos. Vós amais. Eles amam. Você ama. É a força do verbo. Alguns dizem que amar é jamais ter que pedir perdão. Outros que amar é sofrer. É rir junto e então olhar dentro do olho do outro, e rir mais ainda. Amar é conviver. Morrer. Ceder. Calar. Passar a bo…

MOVIMENTOS EM SI MAIOR ou TOCA RAUL

debaixo de MOVIMENTOS EM SI MAIOR  (diz a lenda  que si maior pode ser uma escala estranha, incômoda e cheia de sustenidos... ),anoiteço.

o que nubla em mim, transparece em meu cristalino. isso é algo que achei bonito mas é também a descrição da catarata. 
como o sangue é rio que irriga a carne, definir é para quando se pode e do jeito que é possível - são afirmações que capturo enquanto permaneço não essencial - tão somente unidade de informação e multiplicação e enquanto, jardim e orvalho, sorrio o doce-amargo de um hiato.
ainda assim, sou de fato objeto da seleção natural. composição molecular e desejo. misto de carbono e água. resultado da oscilação de taxas hormonais. vertigem nos braços de um homem. poção de acasos e paisagem equatorial. fenômeno imprevisto e desintegração. uma nota de perfume depois da passada. o início, o fim e o meio.

quer saber? toca Raul :)

OUTONIAS DE AMOR EM PROSA

sim, estou um pouco desgarrada; um pouco sonâmbula. é que tudo anda meio esquisito e talvez sem explicação. mas sim. acho que se fosse comida, coisa dentro da gaveta e até um poema, claro que seria sorriso dentro dos olhos, boca na pele e som da voz tilintando dentro. acho que sim, se fosse desenho, haveria um canto em branco para preencher. fosse sonho, ainda que acordado, haveria um rubro no ar a avermelhar bochechas. talvez fosse um caminho, e a pele e um roçar de braços no caminho. mas se fosse sonho mesmo,  dentro do sono,  depois dele talvez amanhã; talvez café. e se acaso durasse, sonho e vida, vapor, súplica e assovio; apesar da exatidão matemática e das flores rabiscando o chão, sim, ainda estaria aqui: cativa entre hábitos, maravilhas e aberrações.