De novo é julho. É julho e talvez não
importe o que eu poderia falar: as chuvas que não cessam, o frio lá do norte,
as perspectivas para o próximo ano ou mesmo para amanhã. É julho; e talvez por ser o meio entre o que há e o que pode haver, o que vejo de olhos arreganhados é o tecido que cobre minha pele e eu quero
desmanchar. Trama por trama para estar nua entre o que foi e o que pode ser. Entre os escombros. Tudo quer voltar. Até os passos que
não dei aos 2 anos. As mãos nas cordas do violão que meu pai tanto queria
que eu tocasse. As linhas me trouxeram até aqui. Estou dentro delas. Dentro das cordas do violão. Dentro dos fios que fazem a trama do tecido e da minha pele e que seguem ao infinito. O caminho é cheio de bordados: desenhos no tecido
que eu tenho que desfiar. Estou costurada nas paralelas. Bordada em osso e carne. Em fibra e desejo. Dentro do buraco da agulha. Sinto no ar um perfume. meu cheiro? Um perfume de begônias Quem é essa mulher toda nua? essa que me espia enquanto enfia e retira a agulha do tecido?
segunda-feira, 22 de julho de 2013
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