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Mostrando postagens de Dezembro, 2016

AH O AMOR. O TAL AMOR...

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como minha avó, eu poderia dizer que amor é quando, juntos, se come um saco de sal; ou quando de um limão, se faz uma limonada. (mas com ou sem açúcar? ); eu poderia dizer que amor é quando se faz um poema. quando se faz uma canção. quando se canta uma canção, é amor. precisa ser.
Quintana diz: “O amor é quando a gente mora um no outro”. Danilo Caymmi pergunta “O que é o amor? Onde vai dar? Parece não ter fim. Uma canção cheia de mar que bateu forte em mim”. 

Amor é tirar da própria boca para alimentar alguém, fazer o bem sem olhar a quem. (mas o que é o bem, não é? Sabe lá.) Amar é discórdia; e Lacan aponta: “Amor é dar o que não se tem a quem não é”. Acho lindo (achar lindo acho que é amor).

 Eu amo.Tu amas. Nós amamos. Vós amais. Eles amam. Você ama. É a força do verbo. Alguns dizem que amar é jamais ter que pedir perdão. Que amar é sofrer. Rir junto e então olhar dentro do olho do outro, e rir mais ainda. Amar é conviver. Morrer. Ceder. Calar. Passar a bola. Morrer de ciúme. Lavar um…

MOVIMENTOS EM SI MAIOR ou TOCA RAUL

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debaixo de MOVIMENTOS EM SI MAIOR (diz a lenda  que si maior pode ser uma escala estranha, incômoda e cheia de sustenidos... ),anoiteço.

o que nubla em mim, transparece em meu cristalino. isso é algo que achei bonito mas é também a descrição da catarata. 
comoo sangue é rio que irriga a carne, definir é para quando se pode e do jeito que é possível - são afirmações que capturo enquanto permaneço não essencial - tão somente unidade de informação e multiplicação e enquanto, jardim e orvalho, sorrio o doce-amargo de um hiato.
ainda assim, sou de fato objeto da seleção natural. composição molecular e desejo. misto de carbono e água. resultado da oscilação de taxas hormonais. vertigem nos braços de um homem. poção de acasos e paisagem equatorial. fenômeno imprevisto e desintegração. uma nota de perfume depois da passada. o início, o fim e o meio.

quer saber? toca Raul :)

TERRA NATAL

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Pergunta-se o que é Terra Natal. Dizem
que como o amor, é coisa única. Um só amor. Uma só terra natal. 
Mariana não pensa assim. Sente-se capaz de abrigar amor simultâneo por coisas, cidades e pessoas. Por isso ama Edgar e Rafael. O vestido  de oncinha e os chinelos. Navega nas ruas de tantas cidades e diz: acho que nasci aqui. À muitos lugares ela sente pertencer. Lembra das aulas de matemática e dos símbolos de  pertence e não pertence... sabe que Fundamental é mesmo, o amor. 
Sobre o que muda, ela escuta o que se avizinha e faz ninho no quintal. Ao cair da tarde, vislumbra possibilidades de recriar-se e sair da mesmice. Nem sempre é possível. Estamos todos destinados à mesmice! diz apocalíptica. 
Dentre as mudanças, prefere aquelas que sem motivos prévios, simplesmente Acontecem. Se interpõem feito tiro. Ela entre o disparo e o alvo. Sem ter para onde correr. Sem tempo, talvez, para temer. Mariana gosta de experimentar desassossegos, cheiros inusitados e rajadas de vento. Sabe que vive…

PROSA DESARTICULADA EM SI MAIOR

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PROSA DESARTICULADA EM SI MAIOR 
se de acaso em acaso respiro e transpiro, virada em palavra sigo dentro de um tempo que me soa agora mais determinado. 

em meio ao que me varre e assusta deparo com a ideia de esvair e secar. da profusão de um mergulho na cheia da maré; da composição, da melodia e de juntar as coisas segundo um critério. 

em meio ao que me voa e assombra deparo com um olhar.  a beleza e o vazio de um olhar. no mais, mesmo que eu estranhe, talvez tudo seja leite derramado sobre natureza morta. choque e ausência de cor. vento e vertigem. 

se a vida é mesmo bobagem e irrelevância (é?), liberdade e impotência, eu sigo. acho que viver é inspirar e seguir. 

SOBRE VAZIOS

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SOBRE VAZIOS




sou arquiteta. tenho apaixonamento por conceitos e palavras estruturais: por exemplo: palavra ferro, palavra concreto; também pela mecânica das palavras tenho apaixonamento: palavra envergada, palavra cisalhada; palavra fundida.


amo especialmente palavras fio: com alma de aço. gosto de até de onde elas podem ir: como a palavra balanço;
atravessa vãos inteiros e compreende amplamente um vazio. 
de lá, desdobra em contemplação.

GUARDAR de Antonio Cícero

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GuardarAntonio Cicero


Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
Antonio Cicero

PROJETO ESTÉTICO PARA DESVIRGINAR VAZIOS

PROJETO ESTÉTICO PARA DESVIRGINAR VAZIOS
uma palavra ou quem sabe um novo dicionário. um léxico inteiro... PROJETO ESTÉTICO PARA DESVIRGINAR VAZIOS para começar DEZEMBRO desse ano exagerado de tantas perplexidades
preciso de uma palavra para projetar. uma palavra para construir e representar ideias. uma palavra tijolo. preciso ainda  de uma palavra que sustente. uma palavra base. é mais do que organizar ou dispor as coisas com lógica e depois banhá-las em estética. preciso de palavra para desvirginar o vazio. palavra para fazer chão.