quinta-feira, 31 de março de 2016

segunda-feira, 21 de março de 2016

ZENZO

ilustração: Leila Domingues
ZENZO I

carpir
fagulhas do outono,

osso e cartilagens,
devires,
toda a terra
que o olho pisou;

toda pedra.


ZENZO II

todo homem arde,
ceifa
carrega anêmonas na pele;

todo homem navega,
tem velas, motores
e rema;

todo homem é sambaqui
poço de valas e sulcos;

todo homem

é maresia.

quarta-feira, 16 de março de 2016

ADÉLIA





ADÉLIA

em meio a alfinetes, tesoura, aranhas e o remanso do entorno; enquanto oscila, sentada ao pé da cama, a moça admite: sim, sou romântica. o que mais deseja, na flor de uma belezura difícil porque sagaz e ladina, é dizer que sim sem medo da voz sair baixa ou entrecortada pelo susto (parece susto?). apesar do outono que desponta e da pele que se dobra anda suspensa em flores:  hibiscos em hemorrágico despetalar. ela pensa em um alçar de aves – na urgência da boca a se dobrar em nervuras e em outros descaminhos. deixa que seu corpo ocupe o necessário espaço em cada cada passo. ocupe o necessário espaço no tempo que a conduz a cada novo movimento. aguarda em seu corpo e em tudo que oscila nesse espaço de ausência: poema e travessia.

quarta-feira, 9 de março de 2016

SINTONIA PARA PRESSA E PRESSÁGIO

Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.

Soo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.

Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.

Paulo Leminski

sexta-feira, 4 de março de 2016




SOBRE QUINTAIS

há abundâncias e abismos
no quintal; adjacências e sustos;
em meio a punhados de manjericão e cebolinha, ou mesmo em meio ao que desponta no caminho: bálsamo, arranhões ou palavras:

 palavra empinada
palavra sem rosto
 palavra com dedo em riste;
palavra que flutua
numa tarde qualquer de verão;

palavra que sobra depois de uma refeição;  palavra com perfume, palavra que abre um vazio depois que se escuta;  palavra que faz poesia e depois faz alvoroço dentro.

a menina corre para pegar e fugir das palavras que caem. 

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