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Mostrando postagens de Fevereiro, 2017

OUTONIAS DE AMOR EM PROSA

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sim, estou um pouco desgarrada; um pouco sonâmbula. é que tudo anda meio esquisito e talvez sem explicação. mas sim. acho que se fosse comida, coisa dentro da gaveta e até um poema, claro que seria sorriso dentro dos olhos, boca na pele e som da voz tilintando dentro. acho que sim, se fosse desenho, haveria um canto em branco para preencher. fosse sonho, ainda que acordado, haveria um rubro no ar a avermelhar bochechas. talvez fosse um caminho, e a pele e um roçar de braços no caminho. mas se fosse sonho mesmo,  dentro do sono,  depois dele talvez amanhã; talvez café. e se acaso durasse, sonho e vida, vapor, súplica e assovio; apesar da exatidão matemática e das flores rabiscando o chão, sim, ainda estaria aqui: cativa entre hábitos, maravilhas e aberrações.

ARLINDO ORLANDO - CÊ NÃO IMAGINA A AFLIÇÃO QUE EU SINTO

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captação, síntese e invenção são fronteiras com que deparo na orfandade. descolonizada e fraturada no encalhe penso se é o fim do ato. o amor faz volteios na coxia; ricocheteia. ao fim de tudo, de todas as coisas, ao fim e ao cabo, salto de bota e tudo por sobre o abismo e a angústia: desde sempre sei que se não se salta, não se compreende; o tamanho do abismo ou seja o que for, até do meio-fio. pronto: agora tudo é blues. talvez por isso saco o tambor do profundo das águas e de um supetão tasco-lhe uma sequência de saraivadas com o oco da mão e palma. No vão e na cunha da palma, tem fresta e silêncio, um mar de (des)exatidão. nos dedos e no canto da palma, perspectiva e talvez um olhar que ressoa e faz horizonte e brilho....  ainda assim não posso evitar olhar no espelho e ver seus olhos. mas pedra a gente joga e mostra a mão. entendo que mãos, tambor, boca e voz são instrumentos de sentido e razão. de percussão. e sei da pedra. e que abaixo dela tem ebulição. não quero dormir. estar…

AMOR ENLUARADO

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Juçara está grávida. em noite de lua cheia, espera com ela. prateia. lua de neve e areia. talvez por isso enxerga Tiago debaixo da penumbra. espera o novo. pensa em eclipse. em quando Sol, Terra e Lua se alinham com um desejo que é do universo. se deixa absorver pela ideia.a vontade deglaceia sobre a beira da água. faz possibilidade e força.Juçara armazena o desejo e respira então tudo que se adia. depois alua e respira até o abandono da noite. encapsula ainda mais uma vez o mistério. depois orfana um muxoxo: é bicho e é gente. sabe queo amor faz colapso nas gentes; deita luz em bússolas cravadas na areia.




link musica GRÁVIDA Marina Lima e Arnaldo Antunes

https://www.letras.mus.br/marina-lima/88213/



A ARTE DE PERDER

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A ARTE DE PERDER, POR Elizabeth Bishop A arte de perder não é nenhum mistério
tantas coisas contém em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente. A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subsequente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes. A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. Um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
Mesmo perder você (a voz, o ar etéreo, que eu amo)
não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser um mistério
por mais que pareça muito sério.

DICIONÁRIO DAS TRISTEZAS OBSCURAS

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Tem um trabalho chamado O Dicionário das Tristezas Obscuras.https://noosfera.com.br/o-dicionario-das-tristezas-obscuras/  :) Criado pelo artista John Koenig, é uma coleção de palavras inventadas, que servem para oficializar emoções que as pessoas sentem mas não conseguem explicar.  :)  palavras cordão para um tanto de coisa que a gente sente e que não dá pra nomear... fiz um escritinho misturando algumas delas :) espero que gostem!!
RELATOS AGORA NOMEÁVEIS
Acordei tomada deadronitis. o tempo passa e penso quanto tempo leva para se ter a sensação de conhecer alguém? não sei... estou com ambedo, absorta de tal modo com alguns pequenos detalhes da vida e sua intensa fragilidade, que tenho ganas de anchorage, sabe? de segurar esse tempo que corre e me me desequilibra bem no meio da correnteza.  é pura anemoia; a nostalgia de algo que desconheço um dia ter vivido!Lembro de amigos reunidos em algum lugar do passado e já é anthrodynia me invadindo e me fazendo ver o quão esquisito se pode ser.…