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Mostrando postagens de Janeiro, 2017

GARRAFADA PARA DESAJUSTES HORMONAIS

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Penso sobre princípios de aerodinâmica e combustão. Penso também em pequenas magias e coisas transcendentais: como garrafadas para curar males e mazelas. Uma garrafada de Aloe Vera e formol, por exemplo. Será que adianta? Resolve meus problemas?” Conto para uma amiga e gargalhamos juntas. Ela me diz para esquecer as garrafadas. Diz que para quase todas as coisas, precisa-se apenas de dois dias. Não tem quaisquaisquais;não tem mimimi;seja para iniciar um regime, cair na esbórnia, aceitar ou não uma proposta, mudar a vida em tudo ou em nada! Uma cesta de métodos mais dois dias de concentração e tudo se resolve. Ela diz que desse jeito, não vai ter aloe vera que faça páreo! Quanto ao formol, nem pensar, não é? Me pergunta se quero, por acaso, estacionar nesse estado de coisas ou qualquer outro? E já sai dizendo que o movimento rejuvenesce!  Gosto da minha amiga!
Ela olha para os fios soltos que afinal, sempre vão existir e me oferece palavras rede onde experimento um existir borboleta... …

MATÉRIA SEM CULPA

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Capto a vida através de instrumentos. Mergulho em diferentes águas e pinço toda sorte de objetos: flutuantes, evanescentes, com mais ou menos contraste entre eles e a água. O critério é o visgo dentro do olhar. Só o visgo. Ainda assim são objetos fugidios. Através deles, palmilho e desvendo. Depois percorro a orla com os pés descalços. Orla e órbita. Tropeçando em pequenos crustáceos, eu desvelo. Sangro no perímetro das coisas que tem textura, aroma e intensidades. Desenho nós dois sentados na areia. Sentados na beira em volta do buraco. Em volta da beira e da probabilidade. Da possibilidade. Às vezes é como gravidade: Não dá para negociar. Fóssil sem corpo; mas, afinal, quem dorme com cães, não necessariamente vai acordar com pulgas. Além disso, diante da tv, vejo tudo que pode haver de submerso em Moçambique, e que apenas três moças, antes dos 30 anos, podem desvendar e desvelar em rede para o mundo. Sem sair do sofá vou explorando a densidade da água, escuto jubartes cantando e pro…

BURACO DA FECHADURA

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ilustração: Estevão Teuber


pela fresta, pelo vãoolho-me nas pontas dos pés:
em meu cheirometade;
quem é essa moça nua,essa outra que me espiapelo buraco da fechadura?

poema do livro BRICOLAGES para GELADEIRA, 2006.

EU SOU O MEIO ##

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um ponto de vista obtuso: salto e me derramo sobre o vão. sou argamassa. cal e cimento, os ferros amarrados e depois, tijolo sobre tijolo. sou o vento que bate no rosto, o sol sobre a cabeça, a pinga no final do dia e quem sabe isso tudo mais meus erros de cálculo, meus destroços e a tentativa de formar um cômodo. um cômodo apenas onde eu possa me abrigar, inclusive de mim mesma, e criar tubulações pra ver a água jorrando da torneira e enxaguar o rosto ou tomar um copo dela ou mesmo meter a cabeça embaixo dela. trago em mim fissuras estruturais, mas há pilares, vigas e um enorme baldrame para a inconstância e  as movimentações a que estou sujeita, embora os efeitos de um sorriso desatem em vértebra depois um solavanco ou beijo de supetão, e deve ser por isso que sob determinados ventos eu desabo inteira no meio da sala de estar. sim. ainda assim sou tijolo sobre tijolo dos sonhos da casa inteira e suas partes, da torneira e da água jorrando sobre minha nuca e meus olhos enxergando o r…

POEMETO PROSEADO PARA PAIXONITES AGUDAS E CURÁVEIS

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POEMETO PROSEADO PARA PAIXONITES AGUDAS E CURÁVEIS


foi quando olhou de lado e fez uma ruguinha no canto do olho. cócegas do universo bem debaixo da perspectiva-possibilidade do arco-íris. atrás tinha um cinza tempestade tentando varrer o tempo. aí depois falou qualquer coisa que não lembro. mas tinha um roçar de pêlo e pele pelo antebraço na frente. era o quê mesmo? desculpa. aí depois tinha um riso no canto da boca e aquela música mambembe atiçando o horizonte e a lua. é, tinha a lua. tinha tanta cor lá em cima (até o cinza que de quando em quando se abria em raio de luz e silêncio). depois tinha a noite que viria depois dos raios de luz. o roçar dos pneus no asfalto e outro sorriso no canto da boca, debaixo da ruga do olho olhando ainda assim, de lado, tudo de bom que há nessa vida ♯♯♯

MAIS UMA DE AMOR

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Entre tantas coisas, uma coisa.  
Plutônio + potássio + açúcar comum = bomba, injetar gasolina ou querosene em uma lâmpada e quando você acende = buuum!!! (sim, a onomatopeia é minha). Há também onomatopeias providenciais, talvez um dia especial e talvez um neurologista que não entenda nada de amor. Mas ele pode dizer que, ainda que seja improvável, o recomendável é manter-se isento. 

Se o constrangimento piora a gagueira, eu não sei absolutamente nada sobre incêndios e explosões e preciso ganhar tempo. Então ele me diz que nossa mente tende a encontrar padrões... Tende? Talvez por isso eu passe lustra-móveis em todas as portas antes do meu amor chegar. Pergunto ao neurologista quanto tempo precisarei para viver entre tantas coisas sem apenas uma? como manter o escrúpulo diante do que me aborda pela porta da frente? Ele sorri e diz que para abrir ou fechar a porta basta girar a maçaneta. Que todo o mais pode ser arbitrário ou adjacente.

MINHA MENINA

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ela tem cabelos longos e um encontro de vogais dentro do nome. no sorriso deixa entrever uma covinha. moro ali quando ela sorri de olhos arregalados. é quando aparece a sabedoria e a força do verbo.  um prenúncio de algo no passado que não foi completamente terminado. um atravessar pelo tempo. uma fábula para eu me aninhar. o mundo inteiro cabe nela. cabe até o universo. desolha meu oi bem lá dentro do olho e sorri fingindo sentir a alegria que sente. depois continua, ainda que sem falar. sem fazer sorrir a covinha. é onde lá? a gente sai pela porta da frente?  ela se ri do que inventa. tem um jeito só seu de arrumar o cabelo e de desenhar o caminho por onde passa e desarranja as definições todas. até as que insistem em resistir. depois ela parece guardada nas palavras, sobretudo nas mais simples e curtinhas, feito o seu nome. ainda que tenha sido feita sem a prerrogativa do nome, ela é toda cada letra e circunstância dele. tem também um hiato  no nome dela; que é um pedaço de tempo q…

MADALENA

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Madalena
Olhos rasos, levanta toda manhã. Prediz as circunstâncias do dia que se elabora. Sol dentro. Põe os pés sobre o tapete. Sente as fibras do junco. Pensa na Bahia. Faz uma prece ao santo e bípede, ergue-se. Sabe que pode caminhar sobre duas pernas e isso lhe basta. Lava o rosto e se demora em frente ao espelho. Alisa a pele com o creme. Isso a restitui do ontem, do silêncio que faz ainda eco em seus ouvidos. Deixa escorregar o vestido sobre o corpo que desperta e veste a sandália. Miss, atravessa a sala em direção à cozinha. Para em frente ao espelho que há no meio do caminho. Confere. Prepara o café na cafeteira expressa e aguarda que comece a subir até que a fumaça, até que o cheiro da fumaça verte pelos azulejos e toma a sala (até o quarto vazio) e a casa vizinha com a janela aberta. Derrama o líquido escuro sobre a porcelana da xícara, sobre o açúcar e a expectativa que lhe ronda. Sorve de gole em gole o café enquanto amealha suas coisas e põe na bolsa. Pega as chaves. “Logo…

O FOTÓGRAFO

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Eu fotografo ideias e projetos para ver as estórias. Para capturar e interpretar o momento. É então que a imagem é bandeira que defendo; argumento que apresento. Se a vida é um evento, eu fotografo para conservar. Para guardar.Feito poema onde guardo o que é primeiro plano e também o plano de fundo. Desarticulo para ver mais a gravidade da cena. E de novo interpreto. No fundo, sou contador de estórias e fotografo para guardar. Ontem, por exemplo, a vazante de águas raras e claras eram como janelas no manguezal; e eu interpretei a dinâmica da seca e da cheia naquele poema-cena. Feito mata ciliar, o que distancia e protege também põe em contato; provoca o conflito e o argumento; e eu sou espécie entre as espécies que fotografo.

PARA O ANO NOVO de Patricia Claudine Hoffmann

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Para o ano novo... por Patrícia Claudine Hoffmann
Os fins não justificam
os medos. Então
que ao menos os anjos
cuidem das marés. E o mar tenha a generosidade
de não agredir
a fuga. Porque há uns barcos pequenos
no lado de dentro. - que ninguém faça mais
nascer a fuga - Que o ano novo traga
estoques de ajuda. Estanque as correntezas
do ódio,
transborde odes
de paz e amizade. Que a fé não seja o único lugar
seguro,
mas traga algo além
do alento
no escuro. Restaure os terrenos, as luzes,
os risos, os rios, as casas,
os camicases arrependidos... Que a nova fase
encontre oásis humanos. E que este não seja só
mais um poema só
de fim de ano.