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Mostrando postagens de Agosto, 2016

DEPOIS DA NOITE

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DEPOIS DA NOITE
o biônico da manhã esconde os segredos dos pés descalços. a preguiça. entre cascas, uma lembrança escondida. entre o osso e a cartilagem, algo de entumecido cristaliza no tempo, e a voz na varanda molha debaixo da goteira debaixo da chuva que insiste debaixo da preguiça, apesar, do claro do dia, de um dia talvez ameno e do resedá que insiste num verão qualquer, insiste na barca de amantes. insiste numa especie de nevoeiro:  carnaval em corda bamba, cordas rotas. jaz na retina um aroma antigo: um sabor de água da talha, de sede apesar da cacimba. há talvez uma jangada na ponta do abismo. e velas abertas.

SOBRE VAZANTES

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SOBRE VAZANTES
o movimento caudaloso do rio;roda dentada do desejo;anoiteçe e adentra a terra
a metáfora passa a línguano pescoço que esquiva;dedilhante e obsceno.
um disfarce líquidooculto e peludona sombra do salgueiros.
há mais que demoras na algibeira: uma vastidão de urgências.
na emboscada,farpas de medo e redenção; ímpeto dentro,labaredas estrilam nos olhosda seca;um desejo sonâmbulo, e o espanto: tudo é sangue.
E se fosse atrito?Tempestade, concha?Resvalaria?
(Lamberia que nem cachorro do mato?)







PERCEPÇÕES

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SOBRE CAVALGAR

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O poema galopa sobreos cascossalta dentro do vento e do cheirosalta no oco da palavra;veloz faz a curvapele e pêlo.
O poema não aceita ser encilhado.

ODE PARA LUÍZA

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Ode para Luiza
pelo sulco do olho verto uma lágrima. ato ridículo e baldio como carta de amor nunca escrita. uma lágrima furtiva. rútila. apenas para edificar a dor: dar equilíbrio e resistência.
galhofeira, insisto em frente ao espelho um tanto lânguida (vês?); amarro com arame as lacunas para estar assim: súbita e obscena. 
dedilhante, suprimo o ar da palavra para fazer cardume de desejos em franca apnéia; dividir o mar com arraias: heterônima e abandonada. cerzida e voadora.

depois, farpo os espaços por puro capricho. coloco a palavra deserto no meio da palavra água pelo prazer de ver tudo desandar. por delirar e estar assim: vítrea, viscosa e febril. 

GÂNDARA

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GÂNDARA


debaixo do sol ou na noite escura, tateio alhures entre palavras que insistem. tangencio a superfície da areia com a pele e faço núpcias com a escuridão. a memória me traz qualquer coisa de imaterial: sou aguçada por lembranças basais. matizada de impurezas. de tanta sede, rezo uma prece natural debaixo de um pequeno arvoredo: posso ver na lágrima um peixe; e mais ali, formações de líquen (olha). eu gosto tanto de prismas!

SOBRE GARIMPAR

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SOBRE GARIMPAR

(publicado na Oficina da Palavra Selvagem em 27 de julho de 2016)

Todo homem garimpa. Todo homem garimpa e se sabe musgo. se sabe pedra e rajada de vento. se sabe banho de ofurô.
Todo homem garimpa até mesmo quando o fogo dos sonhos faz soar ao longe uma ocarina: todo o mais passa e fica nas molduras e rodapés. nas notas de pé de página. 
Todo homem que garimpa é mais quando, pés n’água, carrega o horizonte nas mãos e nos olhos; a busca. todo homem, até em água benta, garimpa: silêncios e palavras: trampolins de onde salta para voar em papel de arroz. ladear talha-mares. todo homem garimpa. todo homem; música, perfume e voo.