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Mostrando postagens de Setembro, 2011
PALAVRAS E VENTOS
Caros leitores, depois de quase três anos escrevendo aqui neste espaço, chega aquela hora denominada despedida. A flutuação das coisas trouxe minha vida para o Rio de Janeiro e, embora esteja enlaçada com Joinville, é preciso seguir o fluxo. Ver os presentes que flutuam em todos os movimentos. E como não estar feliz quando o presente extrai o que nos passa pela alma? Foi isso que, sobretudo, recebi com o presente de estar aqui: a oportunidade de, a cada quinta-feira, extrair o que assoberbava ou assolava. Fosse a chuva sobre o transparente do meu guarda-chuva ou a folha que redemoinhava na calçada. Presente sem preço. E por falar em presentes e coisas que redemoinham ao vento, penso em uma miniatura de fusca para colocar na estante, um livro com palavras que já li, uma comida preparada com especiarias leves ou um sabor inusitado no meio da maionese. Um sorriso largo em uma foto ou os cabelos voando com o vento. Uma paçoca, um pé-de-moleque ou aquele doce de flocos de …
O GRITO
O 7 de setembro de 1822 já passou. 189 anos atrás. Mas a simbologia atravessa os anos. Cantar o hino. Hastear bandeiras, desfile de tropas e de estudantes. Lembrar e pensar o quanto esta data, mais do que comemorativa de um fato, exprime o desejo de uma nação. O ato de Dom Pedro é repleto de controvérsias históricas que não cabe aqui falar. Quero dizer é da importância do simbólico na comemoração do dia. E não é à toa que faço isso uma semana depois da data. A despeito de como tenha sido decretada a independência, penso no que isso representa pra nós hoje. No que significa viver em uma nação independente e que tenha força e competência para trilhar esse caminho. Bem sabemos que a independência é um ideal. Não é real porque não existe independência por si só e sim a que se estabelece no contato, nas inter-relações, no jogo de direitos e deveres e tantas outras coisas. No ceder e avançar das diferentes frentes, dos diferentes lados. E isso pode acontecer de forma equilibrada ou n…

A MINHA, A SUA, A NOSSA ESTÉTICA

A MINHA, A SUA, A NOSSA ESTÉTICA

De frente para o espelho, penso no formato que as coisas têm. No que tentamos moldar. Minhas unhas, por exemplo: elas tinham um formato antes que alicates se metessem nas cutículas alterando o seu desenho. Talvez por permear esse estranho período eu pense agora que somos máquinas. Máquinas de usar e ser usadas. Por outros e por nós mesmos. E por mais que vozes queiram se instaurar contra isso (até aquelas que vêm de mim mesma), não há mal nenhum nisso. Somos máquinas comandadas por um cérebro, por um inconsciente e por um coração que não mora bem no meio do nosso peito. Se o tempo é a acumulação contínua dos segundos, eu projeto meus sonhos para construir. Para costurar e representar "idéias" que possam traduzir algo qualquer que está mais além e que nem sempre eu posso ver. Algo que, entre outras coisas, tem também uma estética. Se, como dizem, "não importa ser; há também que parecer", é interessante também pensar que nosso ser tamb…
VAZIOS, SUPER E ANTI-HEROIS
Dia desses me vi a pensar em super-herois e em mundos de fantasia, onde a principal protagonista, parodiando a língua do espetáculo, é a espetacular, a majestosa, a surpreendente... Imaginação. Aquele lugar onde o inconsciente tem voz e palco. Que espaço mais absoluto os super-herois, esses seres sobre-humanos poderiam ocupar? Se há quem possa estar na base das cenas da ilusão e de toda uma sorte de desejos, esses são eles. E o bacana com relação aos super-herois é que suas aventuras expressam fantasias comuns a algumas pessoas ou grupos, e isso carrega o conceito de uma questão que também é do campo da energia. O desejo de poder, por exemplo, é uma das expressões de desejo inconsciente que ganha asas no mundo da fantasia, onde, quase sempre, não há farol vermelho. É lá estão os super-herois rompendo os limites e atuando na busca de valores como justiça e defesa dos necessitados. E é lá então que se vêem coisas como voar, virar pedra, água, fogo, elástico, r…